Sal: Situação dos trabalhadores do TRG pode tornar-se catastrófica sem a intervenção das autoridades -c/vídeo

3/03/2021 20:58 - Modificado em 3/03/2021 21:00
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O The Resort Group Plc (TRG), empresa gestora dos cinco resorts na ilha do Sal (Meliã Tortuga Beach Resort, Meliã Dunas, Sol Dunas, Llana Beach Hotel e TUI Sensimar), nos últimos tempos tem passado por uma situação de insolvência financeira, tendo no início do mês de fevereiro, não renovado contratos a alguns trabalhadores e existe a probabilidade de vir a ter mais dispensas.


De acordo com informações veiculadas pelo jornal temático on-line, TurismoSab.cv, através de uma fonte anónima, em março de 2020, com o início da pandemia, cerca 600 dos 1.700 trabalhadores dos três resorts (Llana, Tortuga e Dunas) e a maioria dos que têm contrato efetivo foi dispensado, em início do mês de fevereiro, com uma proposta de indemnização correspondendo a 30% dos seus dividendos (de acordo com o tipo de salário), pago em quatro prestações.


“Uma boa parte assinou, de livre e espontânea vontade, mas outros mediante pressão. Pois, muitos, nem conhecem os seus direitos e deixam-se levar pela pressão. Já se arrependeram, e porque estão a oferece-lhes apenas 30% dos seus direitos, usando o fator pandemia como justificativa e promessas de que em 5/6 meses, com uma possível reabertura podem ser resgatados”, desabafa um dos trabalhadores em anonimato.


“O que existe são denúncias dos contratos de trabalho a termo certo e acordos de revogação dos contratos de trabalho com alguns trabalhadores, em que são pagas as compensações e indemnizações nos termos legais. Ademais, no período entre o final de março e setembro de 2020, o TRG procedeu ao pagamento dos salários a 100% de 148 trabalhadores, na
expectativa de que o turismo recuperasse no final do ano passado, mas infelizmente tal não ocorreu”, escreve o advogado Tiago Costa ao ser contado pelo on-line, adiantando que possíveis re-contratações dependerá da evolução da retoma do turismo e das necessidades dos hotéis em termos de mão de obra.


Recorde-se que, no mês de novembro, o TRG, passou a pagar aos trabalhadores que se encontravam em lay-off apenas 11 mil escuros, em vez dos 35% impostos pela lei no 2º e 3º lay off. Por conta disto, a Inspeção-Geral do Trabalho (IGT) levantou um auto de contra-ordenação a cada um dos hotéis do Grupo TRG, mas sem sucesso. Numa conversa com a TurismoSab.cv, um grupo destes trabalhadores, contam que estão a viver um “total desespero” e estendem um apelo aos governantes e responsáveis do país, a uma intervenção urgente a fim de evitar uma catástrofe.


“Temos recorrido a várias instituições, como aos ministérios da Justiça e o do Turismo, a IGT e a DGT, tendo estes nos aconselhado a chegar um acordo com a empresa, mas não deu em nada, pois o administrador dos empreendimentos tem-se mostrado irredutível nas suas decisões. A descida radical nos nossos salários está a afetar, não apenas a economia das nossas
famílias, mas também, a nível psicológico, visto que estamos em falta com as nossas responsabilidades. A maioria tem dívidas aos bancos, filhos a estudar e a sustentar, rendas por pagar”, desabafa, Otília Ramos, Chefe de Serviços-gerais.


“Estamos péssimos. Eu estava habituado com estes ritmo de vida e comecei a investir nos meus projetos de vida (…), tive que parar tudo. Um salário garantido por mérito próprio desde que iniciei nesta função em 1997, para receber 11 mil escudos é mais que miséria, por conta de todas as responsabilidade que possuo”, explica, Ricardino Rodrigues (Kaka), Chefe executivo de pastelaria do Tortuga, Dunas e Llana, questionando ao Governo e a oposição deste “silêncio perante um assunto que está aos olhos de todos e totalmente ignorado”.


“É uma luta constante que vivemos e temos consciência de que o que está por vir é mais complicado (…). Não vou largar o barco, porque além de mim, há colegas em situações bem piores e no pouco que tenho poderei ajudar”, sublinha, Vanessa Cruz, relações públicas do Llana Beach Hotel e TUI Sensimar, apelando, a quem de direito para fazer algo mais por esta
causa que “está a torna-se um problema sério”.

“Tenho dívidas na banca, casa por pagar e já tenho a minha conta bloqueada. Foi um tombo no orçamento familiar. Espero que o Governo possa tomar alguma medida, de forma até evitar que os outros hotéis resolvam seguir o mesmo caminho e complicar a situação da ilha por
completo”, desabafa, também, Paulo Duarte subchefe-geral de cozinha, frisando que ao menos a “empresa deverá ser obrigada a seguir a lei do país”.

“A situação é mesmo de desespero, tenho quatro filhos e até o momento não consigo ajudá-los. Temos é que escolher fazer a um e deixar os outros (…).”, conta, Jaury Lima, subchef executivo de pastelaria.


“Tudo o que estão a fazer connosco é uma total falta de respeito, porque a maioria dos trabalhadores já têm 6/7 ou 10 anos nesta empresa. É uma autêntica maldade o que estão a fazer connosco. Fomos tratados que nem cães (…)”, diz revoltado, Anilton Soares, subchefe júnior de cozinha.


No que toca a este aspeto, o advogado Tiago Costa declara: “Não existem receitas desde março de 2020, há um ano. O TRG tem efetuado pagamentos de salários em Lay-off desde abril até outubro de 2020 a mais de 1.500 trabalhadores, no entanto, devido à falta de pagamento de dívidas dos operadores turísticos, não aprovação das linhas de crédito COVID-19 (ainda
estamos a aguardar desde dezembro de 2020), dívidas da CV Airlines e dívidas do próprio Governo, relativas ainda aos Jogos Africanos de Praia em 2019, por forma a proteger a liquidez do grupo e assegurar a liquidez necessária para a reabertura da atividade. Temos de frisar que o TRG optou no princípio da pandemia por não recorrer a um despedimento coletivo por forma a tentar manter o máximo dos postos de trabalho existentes. Esta situação, apesar de ser muito penalizadora em termos económicos, foi a que considerámos ser a mais correta e justa do ponto de vista de responsabilidade social e de reconhecimento da importância que os nossos
trabalhadores tiveram para o crescimento do grupo”, argumenta, Tiago Costa.

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