PAICV critica “injecção” de 15 milhões de euros para a transportadora aérea voltar a operar. MpD congratula-se com a decisão

1/03/2021 21:03 - Modificado em 1/03/2021 21:03
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O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), em reação à assinatura com a Loftleider Icelandic, do grupo Icelandair, de um novo acordo de gestão e em que o Governo vai injetar 15 milhões de euros (cerca de um milhão e 551 mil contos) para a transportadora aérea voltar a operar, volta a acusar o governo de “estar a aumentar ainda mais as responsabilidades do Estado”, a “endividar o País ainda mais”, pondo “em causa” a sustentabilidade dos indicadores macroeconómicos, apesar de ser o acionista minoritário. 

O secretário-geral do PAICV, Julião Varela falava em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, “o Governo está confrontado com o fracasso nessa operação de privatização e pressionado pelo calendário eleitoral. O PAICV entende que deve ser afastada qualquer tentação de provocar a retoma dos voos sem que exista um plano de negócios sustentável”, referiu. 

Por sua vez, o porta-voz do grupo parlamentar do Movimento para Democracia, MpD, Luís Carlos Silva, considerou que com essa decisão o Governo está a proteger os postos de trabalho, os rendimentos das pessoas e a própria empresa.

“Congratulamo-nos com o facto de o Governo não ter recuado na sua função de garante do Estado, na sua capacidade negocial não só junto dos parceiros estratégicos, mas também junto dos credores e dos trabalhadores”, frisou.

O deputado do partido que sustenta o Governo regozijou-se igualmente com a “credibilidade que o Estado emprestou ao processo”, bem como pela sua “capacidade de mobilização financeira”.

Para o PAICV, o mau desempenho do governo de Ulisses Correia e Silva em matéria dos transportes aéreos, deva ser resolvida com o resgate do acordo, pelo menos até se ultrapassar esta fase difícil colocada pela pandemia, de modo a salvaguardar o emprego e o rendimento dos trabalhadores e seus familiares. 

O MpD considerou que no contexto da covid-19, com a ausência de mercado e fronteiras, o governo tinha a opção de não intervir e “deixar a companhia morrer” ou interferir para salvar os postos de trabalho, o rendimento das famílias e conservar uma empresa “estratégica para o futuro”.

“O Governo de Cabo Verde fez a opção pela intervenção assumindo os riscos e as responsabilidades que tal opção acarreta, na convicção de que com a vacinação estaremos a aproximar-nos da normalidade, que nos levará ao percurso crescente que tínhamos até 2019”, justificou o deputado.

Com o novo acordo anunciado, a CVA deverá nos próximos 12 meses recentrar os seus objetivos, metas e o mercado-alvo direcionado para as rotas de acolhimento dos emigrantes cabo-verdianos e os países emissores de turistas, designadamente Portugal e Estados Unidos da América. 

O Estado de Cabo Verde vendeu, em 2019, 51% da companhia aérea nacional TACV por 1,3 milhões de euros a Lofleidir Cabo Verde. A Loftleidir Icelandic, empresa subsidiária do grupo Icelandair (Islândia), detém 70% das acções na Loftleidir Cabo Verde, enquanto os restantes investidores 30%.

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