Advogado Baltasar Garzón levanta hipótese de intenção deliberada da PN de não transferir Alex Saab para ser tratado na cidade da Praia C/Vídeo

5/10/2021 00:41 - Modificado em 5/10/2021 10:42
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Os atrasos verificados na transferência de Alex Saab para a cidade da Praia, autorizada há mais de um mês pelo Tribunal da Relação de Barlavento (TBR) mas até agora sem concretização, continuam a configurar uma situação estranha e incompreensível, em primeiro lugar por se tratar do incumprimento, pela Polícia Nacional (PN), de uma ordem judicial clara,  mas também, e isso talvez seja o mais grave, por estar em causa a saúde de um ser humano que corre sérios riscos de vida.

É que o diplomata venezuelano é doente oncológico, ou seja, sofre de cancro, e o seu estado, enquanto espera o término do seu processo de extradição, tem vindo a deteriorar-se de forma crescente e preocupante porque, à ausência de meios para um tratamento especializado adequado na ilha do Sal, juntam-se as condições em que se encontra detido e que são  manifestamente desaconselháveis para alguém com tais problemas de saúde.

Os advogados do enviado especial, cabendo agora a vez do chefe da equipa internacional, Baltazar Garzón, tudo têm feito para levar a Polícia Nacional a agilizar o processo de transferência, identificando e colocando inclusivamente várias habitações à disposição da polícia para acolhimento do detido e para alojamento dos guardas, tudo a expensas de Alex Saab, mas a PN recusou até agora, dando a impressão que por capricho, todas as opções apresentadas.

“No dia 31 de Agosto de 2021, o Tribunal da Relação de Barlavento concordou com transferência de Sua Excia, senhor Alex Saab, da ilha do Sal para a cidade da Praia, na ilha de Santiago, devido à deterioração do seu estado de saúde, caracterizado por uma situação extremamente delicada, para que pudesse usufruir de assistência médica especializada. A polícia cabo-verdiana  ou os responsáveis da instituição têm impedido, porém, que essa medida judicial, embora urgente, se concretize”, denuncia aquele representante do extraditando.

“Não conhecemos as razoes para isso e cremos que não se justifica, a menos que haja uma intenção deliberada de violar, para lá de todos os limites e até um ponto irremediavelmente inaceitável à luz das leis internacionais, os direitos humanos do senhor Alex Saab, nomeadamente nesta questão da saúde”, acrescenta Baltazar Garzon, num vídeo hoje divulgado.

Assim, o advogado exige, enquanto membro da equipa de defesa, “que a situacao em causa cesse imediatamente e a transferência seja concretizada, de modo a que o senhor Alex Saab seja devidamente tratado por médicos especialistas em quem confie e que se encontram disponíveis na cidade da Praia, por ordem do tribunal”.

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