Amadeu Oliveira: “Reconhecei sob pressão o tribunal que me está a julgar para ser libertado”

24/02/2021 15:21 - Modificado em 24/02/2021 15:21

O advogado Amadeu Oliveira, garantiu esta quarta-feira, 24, que foi “obrigado a reconhecer sob pressão” o tribunal que o está a julgar, para ser libertado e tentar adiar o julgamento do emigrante Arlindo Teixeira, marcado para quinta-feira no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

A posição do advogado foi avançada hoje em conferência de imprensa na cidade da Praia, onde referiu que esse julgamento agendado de urgência, após o STJ conhecer a data do seu julgamento no tribunal da comarca e do mandado de detenção, é “uma manobra” para precisamente aproveitar o seu impedimento para defender o acusado nesse processo que vem de 2015 e que já conheceu “várias fases”. 

Amadeu Oliveira, que desde sábado, 21, encontrava-se detido como forma de assegurar a sua presença no julgamento em que é acusado de 14 crimes de ofensa e injúria contra juízes do STJ, disse que esse julgamento “não pode acontecer sob pena de um inocente voltar a ser condenado”.

“O processo tem quase duas mil páginas, dezenas de acórdãos do Tribunal Constitucional e do STJ e nenhum advogado consegue ler duas mil páginas, estudar dezenas de acórdãos para defender Arlindo Teixeira com dignidade. Eles querem é neutralizar-me, ir meter fraudes e continuar condenando Arlindo Teixeira por falta de um advogado, porque a partir do momento em que o STJ emitir um novo acórdão condenando Arlindo Teixeira os prazos serão muitos curtos, por exemplo, eu teria três dias para pedir a clarificação do acórdão” susteve.

A mesma fonte assegura que o objetivo do STJ é o de “branquear todas falhas e fraudes cometidas” durante esse processo, já que o mesmo ficou preso durante dois anos e oito meses depois de condenado a 11 anos de cadeia, “e caso venha a ser absolvido agora será o reconhecimento dos erros cometidos.”

“Por isso eles não podem absolver Arlindo Teixeira porque já colocaram um inocente na cadeia e única hipótese que eles têm para branquear a situação é condenar novamente Arlindo Teixeira”, salientou, afirmando que “negociou com o diabo”, não por ele, mas pelo emigrante, que considera um inocente e, por isso, pede o adiamento do processo no STJ.

Amadeu Oliveira propõe inclusive que o arguido seja colocado na cadeia provisoriamente, até que ele esteja em condições e disponível para defender o seu cliente.

“Senão ele é condenado e os prazos de recurso são muito curtos. Ele vai para cadeia com trânsito em julgado só porque a defesa não agiu a tempo, mas eles estão a neutralizar-me antes de tomar a decisão”, expôs.

A acontecer este julgamento, afirmou Amadeu Oliveira, “será mais uma fraude”.

O mesmo sustentou que está “a todo o gás” a tentar reunir os documentos para pedir o adiamento do julgamento junto do STJ, já que, conforme o acordo feito com o tribunal para a sua libertação na noite de terça-feira, ele terá de estar presente às 8:30 de quinta-feira, 25, perante o tribunal, uma hora antes de se iniciar o julgamento do seu cliente no STJ.

O emigrante Arlindo Teixeira que veio de França, em Junho de 2015, para passar 45 dias de férias, acabou por ser envolvido num crime e depois condenado a 11 anos de prisão pelo Tribunal da Ribeira Grande, Santo Antão.

c/Inforpress

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