Processo de aquacultura de atum em São Vicente pela Nortuna arranca em junho e visa criar 400 empregos

23/02/2021 13:37 - Modificado em 23/02/2021 13:37
Atum-Rabilho

A empresa norueguesa Nortuna que prevê instalar uma unidade de produção em larga escala de atum em aquacultura na ilha de São Vicente, criando mais de 400 empregos, arranca o processo de instalação em junho.

A primeira fase deste investimento em São Vicente, que será na praia de Flamengo, segundo o Estudo de Impacto Ambiental para a instalação do Atlantic Bluefin Tuna Farming, que implicará, para já, um investimento de 2,5 milhões de euros da Nortuna AS – Noruega, que se somam a seis milhões de euros no programa de pesquisa e desenvolvimento sobre a espécie ABFT (Atlantic Bluefin Tuna ou atum-rabilho do atlântico).

A primeira fase implica a montagem do processo de incubação e produção de biomassa para atum-rabilho, em junho de 2021, seguindo-se a expansão e processamento, no primeiro trimestre de 2022, e depois o início da produção em larga escala, bem como transformação, entre 2023 e 2024, naquela que será a terceira e última fase do projeto, conforme o estudo a que a Lusa teve hoje acesso.

“O projeto de aquacultura que a Nortuna pretende implementar em Cabo Verde tem por base os oito anos de actividades de pesquisa realizadas pela empresa”, lê-se no estudo de impacto ambiental.

A primeira fase deste projecto arranca com a previsão de criação de 12 postos de trabalho, que sobe para 92 empregos na segunda fase e para 400 empregos até 2024, com o pleno funcionamento de uma “fazenda ‘offshore’” no mar cabo-verdiano, para produção daquela espécie de atum em aquacultura.

A primeira fase envolve a construção das zonas de incubadoras e de montagem dos equipamentos que definem o processo de incubação e de teste, tendo já a capacidade de produção de até 300 toneladas por ano.

A segunda fase já comporta o cultivo de atum-rabilho na baía – aquacultura no mar – de Flamengo “em larga escala”, cujo volume de produção estimado se situa entre 8.000 e 10.000 toneladas por ano.

O atum-rabilho (Thunnus Thynnus), que pode ultrapassar os 200 quilogramas por peixe, é considerado o “rei” do sushi e apresenta, recorda a empresa, o valor mais alto de mercado, com o Japão a garantir 60% das compras.

A terceira fase comporta a produção em larga escala, a transformação e “o alargamento da produção para outras ilhas de Cabo Verde, nomeadamente Santo Antão e São Nicolau”, explica a empresa no estudo.

De acordo com o documento, os sócios da empresa norueguesa apostam que a Nortuna Cabo Verde seja montada com base na autonomia económica e financeira.

É de referir que o financiamento inicial (dois primeiros anos) do projecto está garantido em 70% pelos investidores da Nortuna AS e os restantes 30% por combinação de empréstimos e apoio das autoridades norueguesas”, acrescenta a informação no estudo.

NN/Lusa

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