Alex Saab: “A minha prisão domiciliária é uma farsa. Fui transferido de uma prisão para outra”

19/02/2021 14:56 - Modificado em 19/02/2021 14:56
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Em entrevista a este online  Alex Saab denuncia as condições em que se encontra na prisão domiciliaria afirmando que “A minha prisão domiciliária é uma farsa. Fui transferido de uma prisão para outra”. Em relação ao estado de saúde diz que “Não me sinto bem. Em oito meses, Cabo Verde enviou um médico duas vezes para me examinar”. Questionado sobre a justiça em Cabo Verde  afirma “ Fui informado por fontes seguras de que os altos membros do poder judicial são pessoas experientes e que são conhecidas por respeitar e defender a Constituição de Cabo Verde e as obrigações legais internacionais.”

NN – Como se sente em prisão domiciliária?

Alex Saab – Como se sentiria com 50 pessoas a controlarem todos os seus movimentos 24 horas por dia? Eles usam as mesmas máscaras faciais negras usadas por pessoas que me torturaram na prisão, pressionando-me para consentir voluntariamente a extradição e concordar em fornecer informações falsas contra a Venezuela. Esta intimidação não é nada mais do que a tortura fisiológica, mas não vou ceder.

A minha prisão domiciliária é uma farsa. Fui transferido de uma prisão para outra. O facto continua a ser que não sou criminoso e nunca fui condenado por um crime. Cabo Verde não demonstrou respeito pelos meus direitos humanos desde o primeiro dia da minha detenção ilegal. Esta impressão foi reforçada pelo desprezo que Cabo Verde demonstrou pela decisão do Tribunal da CEDEAO, de 2 de dezembro de 2020, obrigando-o a dar-me acesso aos cuidados médicos especializados de que preciso e, por último, pela forma como fui transferido para a prisão domiciliária.

NN – Como está a sua saúde?

AS – Estou constantemente stressado e sou assediado. A polícia anda deliberadamente à minha volta com armas, até quando o meu quarto está a ser limpo a senhora das limpezas é seguida por uma polícia com uma arma carregada. Quando vou para o exterior para o jardim, há drones a sobrevoar.

Não me sinto bem. Em oito meses, Cabo Verde enviou um médico duas vezes para me examinar. Ele é um homem afável, mas não está qualificado para resolver os meus problemas médicos. Desde o início da minha detenção ilegal, nunca fui autorizado a ver resultados de quaisquer testes e exames médicos. Preciso de atenção médica especializada de um médico em que eu possa confiar.

Quando o meu oncologista chegou em dezembro, depois de o Tribunal da CEDEAO ter ordenado Cabo Verde a fornecer-me acesso a cuidados especializados, passou uma semana à espera de aprovação do Ministro da Justiça, que nem sequer se incomodou em responder a vários pedidos. Para a sua informação, as solicitações permanecem sem resposta até hoje. Este é o seu “modelo de democracia africana”?

NN – Como está a sua família e como se comunica com ela?

AS – Estão preocupados. A minha filha de 4 anos não compreende porque não falo com ela há quase um ano. Pergunta constantemente onde estou. Fez 4 anos na terça-feira e nem sequer lhe pude desejar um feliz aniversário. A minha filha mais nova acaba de fazer um ano em janeiro e é mais um marco da família que perdi. A minha esposa e cinco filhos solicitaram vistos para ficarem comigo, mas recebo a resposta habitual – que é nenhuma.

NN – Acredita na justiça em Cabo Verde

AS – Fui informado por fontes seguras de que os altos membros do poder judicial são pessoas experientes e que são conhecidas por respeitar e defender a Constituição de Cabo Verde e as obrigações legais internacionais. Por outro lado, o executivo tem se mostrado covarde, maquiavélico e indigno de confiança. O bom nome de Cabo Verde está a ser destruído por estas pessoas. Veja-se, por exemplo, a partida vergonhosa de Tavares. Ele está associado a neonazis de extrema-direita em Portugal e Miami, chegando mesmo a indicar um deles como cônsul honorário.

NN – Por que acha que o governo de Cabo Verde se envolveu?

AS – Deve colocar esta questão ao governo e também qual é o benefício. Mas a verdade é que não tinham motivos para se envolverem. Deveriam ter respeitado o direito internacional consuetudinário de séculos, que rege o movimento dos diplomatas e agentes políticos. Em vez disso, cederam à pressão do regime Trump, cujo uso extraordinário de sanções impostas unilateralmente foi declarado ilegal pelas Nações Unidas na semana passada.

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