Caso Alex Saab: UCID acusa o Governo de ter agido com arrogância e incompetência e em nome de interesses obscuros

15/02/2021 01:23 - Modificado em 15/02/2021 01:23

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) culpa o Governo de Cabo Verde, de, em relação ao caso Alex Saab, ter arrastado o país para um conflito que não é seu, numa atitude de “arrogância e incompetência” e em defesa de “interesses obscuros”, considerando, no entanto, que “nem tudo está perdido” se se optar por “deixar que as instituições da justiça funcionem sem pressões políticas internas ou externas”.

Através do seu Vice-presidente e responsável de Relações Externas, Cooperação e Comunidades, Júlio de Carvalho, os democratas-cristãos cabo-verdianos, num comunicado chegado à nossa redacção, posiciona-se assim de forma pública e formal, sobre a condução do caso do enviado especial e diplomata da Venezuela, detido em Cabo Verde a 12 de Junho por solicitação dos Estados Unidos.

No mesmo documento, aquele partido defende que o importante é “o funcionamento independente das instituições judiciais” e a assumpção das responsabilidades do país, inclusive “em relação ao Tribunal de Justiça da CEDEAO” em que “Cabo Verde está representado” e cujas decisões “deve também acatar”.

“Cabo Verde precisa ter atenção com manobras diplomáticas obscuras, pressões de qualquer tipo ou promessas truculentas e descabidas”, alerta a UCID, apelando a que o país “aplique as leis da República com respeito pelo Direito Internacional, incluindo as convenções e tratados multilaterais e bilaterais” de que é parte.

Agindo assim, defende o Vice-presidente da UCID, Cabo Verde estará em condições de “aproveitar esta situação [caso Saab] para, exemplarmente, afirmar o Estado como de Direito Democrático”.

O comunicado chama igualmente a atenção para aquilo que considera serem, nos últimos tempos, derivas da diplomacia cabo-verdiana, através de “alinhamentos que têm trazido problemas mas sem benefícios aparentes”, para o país.

“Neste contexto de alinhamentos e incoerências, certos países têm procurado explorar as nossas fraquezas, utilizando factores de pressão e puxando pelos seus interesses em conflitos políticos e geoestratégicos particulares, com completo desprezo pelas nossas instituições e interesses nacionais”, lembra a UCID.

Em jeito de apelo, aquela força política com assento parlamentar defende que o caso em presença “não deve ser tratado com ligeireza e sem a contribuição dos outros partidos políticos, mas quiçá com a auscultação de individualidades experientes e com reputação nacional e internacional”, sendo que a política externa é “amplamente aceite como de consenso nacional”.

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