Salenses temem raide para sequestrar Alex Saab assim como consequências más para o país

11/02/2021 16:58 - Modificado em 11/02/2021 17:09
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O caso de Alex Saab, empresário acusado pelos EUA de negócios corruptos com o governo de Nicolás Maduro, que se encontra detido na ilha do Sal desde o mês de julho e, agora em prisão domiciliária há mais de um mês, tem mexido com a população salense que teme, a qualquer instante, alguma reviravolta que possa trazer consequências mais graves, como a possibilidade de uma operação militar para sequestrar Alex Saab


O NN ouviu cidadãos na ilha, que pedem anonimato com medo  de represálias , que se mostraram preocupados e apreensivos com esta situação que nenhum desfecho se prevê. Segundo dizem, o caso está a arrastar-se mais do que devia, a começar pelo fato de considerarem que Alex Saab, nem deveria estar preso no país, pois não possuímos  qualquer estrutura para acolher um preso desta envergadura num xadrez politico que envolve vários países.

Um dos entrevistados é perentório e diz que é “escandaloso, nem tanto pelo fato deste ter sido preso dias antes da emissão do mandado de captura internacional, mas pelo fato da justiça cabo-verdiana não ter ainda uma decisão definitiva sobre o assunto.”

“É vergonhoso que uma pessoa continue presa pela irresponsabilidade de quem deveria decidir. Falta coragem? Falta competência? Faltam elementos a ser aprofundados? Qualquer que seja a razão, o que está a evidenciar ao mundo inteiro é a carência grave do sistema judiciário de Cabo Verde, isso, vai trazer um grave prejuízo aos interesses da nação, e vai além do caso Alex Saab”  defende, aconselhado que Cabo Verde está a pecar em não resolver o assunto no tempo previsto pela lei.

“Pessoalmente acho que Cabo Verde fez bem avançar com a captura formal, mesmo que depois tenha se revelado de maneira irregular (princípio de fazer uma coisa justa além da questão formal), mas fez muito mal, em não resolver a questão dentro dos tempos previstos pela lei”.

O risco de uma operação militar no país para libertá-lo é alto, sobretudo, pois onde se encontra, existe uma facilidade de entrada, seja numa intervenção aérea, seja marítima. “A minha experiência militar diz-me que encontra-se num sítio ideal para tentar libertá-lo como uma intervenção militar.”

Contudo, aconselha o nosso entrevistado, a não se descartar os impactos que este assunto tem na imprensa internacional, inclusivamente “o país está a ser ridicularizado pela forma como o caso está a ser tratado e, isso, faz com que percamos bastante crédito ao nível internacional.”

João (nome fitício), também, falou com o NN, e sublinha que este assunto tem representando muita confusão na cabeça do povo cabo-verdiano, em particular ao povo da ilha do Sal. Pois, muitos têm medo, desta situação que consideram muito séria.

“Cabo Verde está a meter-se num problema sem volta e pode ser que não consiga sair dele tão facilmente. O futuro poderá trazer más notícias por conta disso”, aponta, sustentando que o país corre risco de receber algum ato de vingança futuramente.

Consciente da amplitude deste assunto e o quão complicado é, alerta que o melhor que se tem a fazer é deixar partir o Saab, pensando no bem estar e tranquilidade dos cabo-verdianos.
“ Não devemos esquecer que vivemos muito colados ao turismo, se algo acontecer com ele aqui, estamos em risco de perder tudo o que se conquistou até hoje neste setor, sobretudo a paz e a segurança que têm
sido o motivo de se vender o país lá fora!, concluiu.

Na mesma linha um outro entrevistado, por nome fictício de Anastácio, replica que a decisão de Cabo Verde poderia ser outra, consciente que não dispomos de condições para ter prisões domiciliárias, para sublinhar que desde do início deste processo que a população cabo-verdiana ficou em risco, por “conta de decisões mal tomadas, por pressão externa dos EUA que nunca vai nos defender sem tirar algum trunfo com Alex Saab. Se o enviam para a Venezuela as coisas podem ter um destino menos triste para nós”, sustenta.

Para Anastácio, a ligação que Alex Sáab tem com países considerados extremistas (Colômbia, Venezuela, Líbano e Irão), coloca Cabo Verde numa grande instabilidade política com dezenas de países que costumam ajudar o país há décadas. Diz acreditar que ainda não houve uma intervenção militar por conta da situação atípica que se vive aqui e no mundo, exemplificando que há alguns meses se nota a existência de pessoas estranhas ligadas à espionagem. A sua presença  tornou-se bem visível na ilha do Sal, o que deverá ser analisado como um aviso sério e o Estado não deverá deixar-se manipular.

“Se alguém o quisesse resgata-lo, em termos de segurança, não estamos preparados para nos defender, sobretudo se for feito por mercenários com experiências de guerra ou elites militares. A sua defesa só está a ser possível, porque não estamos numa situação normal, estamos em pandemia e não há voos abertos para a ilha do Sal. Numa situação normal seria impossível defendê-lo. A Venezuela tentaria o resgate por todos os meios possíveis e impedir que fosse interrogado. Para EUA, Saab é um trunfo
importante. Foi percetível nos últimos meses a sua presença naval aérea e espionagem através de drones no Sal. Conseguiram manipular o Estado e a justiça para que as coisas pudessem correr bem e a seu favor”, frisou.

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