Jandira Cid diz não se intimidar, mas está dececionada com o silêncio da Ordem dos Advogados

10/02/2021 13:33 - Modificado em 10/02/2021 13:33

A advogada, Jandira Cid, que acusa a Polícia Nacional (PN) dos Espargos, na ilha do Sal de intimidação e agressão, ao se dirigir ao local para atender o chamado de um cliente, no passado, 21 de janeiro, diz-se com receio, mas não intimidada em cumprir a sua missão, como advogada, por conta do sucedido. Contudo, alega estar completamente dececionada pela forma como a Ordem dos Advogados de Cabo Verde (OACV) tem gerido o assunto, em completo silêncio, perante esta situação que considera de
gravidade.


Jandira Cid em entrevista ao Notícias do Norte, conta que além de ser “granpeada” de forma agressiva, obrigaram-na a assinar um documento que não correspondia à verdade dos factos. “Quando os dois agentes levaram-me “granpeada” para a sala para assinar os documentos, o comandante entrou de seguida e começou a obrigar-me a sentar. E depois tentaram obrigara-me a assinar um auto de identificação que dizia que entrei no interior da esquadra por revelia, e que me pediram para aguardar à entrada para evitar aglomerações de utentes e neguei”, conta.

De acordo com a mesma, não assinou o documento, tendo em conta que os agentes transgrediram a Lei especial no 159, art. 1, dos Estatutos da OACV aprovado pela Assembleia Nacional que define “Direito a tratamento e a condições de trabalho condignos.”

Contatado a PN, o comandante, Orlando Évora, desconsidera tais fatos, alegando que na atual conjuntura há procedimentos que devem ser respeitados e que a advogada em causa procedeu em rebeldia e agrediu
verbalmente as autoridades.


“Estamos numa situação de pandemia e existe vários serviços a funcionar no mesmo espaço, logo tem que haver procedimentos. Não estando o cliente ainda na esquadra, ela foi ordenada a aguardar. Em vez disso, resolveu barrar a entrada e, ainda, a chamar os policiais de pés de chinela, jornaleiros, incompetentes e comandantinho de merda. Ainda, ao ser abordada pelo comandante da esquadra, disse que a retirasse, pois não iria sair. Inclusive, negou identificar-se. Tendo prioridade, caso tivesse cliente, nós é que estipulamos esta prioridade. Negando a sair, pegaram-na no braço e foi retirada do sítio”, avançou, afiançando que a condição de advogada não lhe dá o direito de chegar, entrar e desrespeitar os procedimentos do local.

Questionado sobre a detenção da advogada, Orlando Évora, diz que isto não corresponde a verdade, explicando que caso fosse, esta seria presente ao tribunal, o que não aconteceu. Acrescenta ainda, que não é uma situação pontual, razão pela qual, está a decorrer uma queixa-crime contra a referida advogada, no Tribunal, na Procuradoria e na própria OACV, tendo apresentado ao represente no Sal, todas as provas que dispõem sobre estes assuntos.

Jandira Cid diz-se sentir abandonada pela OACV

Segundo a advogada, o assunto irá ser encaminhado ao tribunal, mas, até o momento da entrevista, não o tinha feito, porque a OACV, não tinha até então, se pronunciado sobre o caso.

“Estava à espera realmente de alguma atitude da parte da Ordem. No momento da minha detenção, não enviou ninguém para saber do acontecido. Avisei-os através do meu colega que está na Cidade da Praia,
mas não apareceu ninguém para me apoiar. Quando sai da esquadra, quem me acompanhou ao hospital, visto que tinha muitas dores, foram o meu cliente e os seus familiares. Ficaram comigo até o último momento”, diz dececionada.


Conta ainda, que aguardaram no hospital mais de uma hora à espera dos agentes para fazer relatório, mas, estes ao chegarem a reação foi, “Ah, é bo?”. Deram-lhe às costas e foram embora, sem elaborar o
relatório”.


“Não tenho medo, mas tenho alguns receios, um deles é a possibilidade de voltar à esquadra e acontecer alguma coisa comigo. Porque ao meu ver, enquanto algo mais grave não aconteça com qualquer membro, a OACV não irá tomada medidas. Estamos a sentir abandonados mesmo”, sustenta, adiantando que muito dos problemas que a Ordem recebe são, sobretudo, sobre a obstrução dos seus trabalhos e burocracias.


No que toca a este assunto AOCV emitiu um comunicado, no qual “manifesta a sua solidariedade para com a advogada Jandira Cid na sequência da sua detenção ilegal na esquadra dos Espargos, Ilha do Sal,
citando o Estatuto da OACV e tudo o que devera ser respeitando segundo os Artigos 159º (Direito a tratamento e a condições de trabalho condignos) e, 162º (Direito a não ser molestado por causa do exercício da profissão).

“Contudo, conforme do conhecimento da advogada Jandira Cid, a Ordem no âmbito das suas atribuições, representado na pessoa do advogado Manuel de Pina, Delegado da OACV na Ilha do Sal, após contacto com o Bastonário, manifestou-lhe toda a solidariedade e apoio desde a primeira hora manifestando o seu repúdio ao tratamento que diz ter sido vítima.
Entretanto de imediato o Delegado da OACV na Ilha do Sal, reuniu-se com o Comando Regional da Polícia Nacional para o esclarecimento cabal dos factos ocorridos com a colega em exercício da profissão e demonstrar que o advogado não pode ser detido sem que seja comunicado à Ordem dos Advogados.”, refere o comunicado.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.