Partidos no Governo timorense vão apoiar o mesmo candidato à presidência

9/02/2021 13:52 - Modificado em 9/02/2021 13:52

Os líderes dos três partidos do Governo timorense acordaram hoje apoiar um único candidato presidencial às eleições de 2022, cimentando a plataforma atual para que continue nas legislativas de 2023, disse à Lusa Mari Alkatiri.

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Essas foram duas das questões do encontro que mantiveram hoje o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, o presidente do Partido Libertação Popular (PLP) e primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e o conselheiro superior do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), José Naimori.

Alkatiri explicou à Lusa que a reunião, que ocorreu depois de outros encontros a três que serviram para “construir confiança mútua”, serviu ainda para fazer um balanço da governação desde que a Fretilin entrou para o executivo, em meados de 2020.

“Até aqui temos vindo a fazer reuniões no sentido de criar confiança mútua. A reunião de hoje foi no sentido de fazer um balanço da governação até aqui e fundamentalmente para perspetivar o futuro”, referiu.

Futuro, sublinhou, que passa por os três partidos acordarem sobre o candidato presidencial que apoiarão em 2022 e, ao mesmo tempo cimentar a parceria a pensar nas legislativas, com um modelo de entendimento que pode até incluir uma coligação pré-eleitoral.

“Se quisermos realmente corrigir, construir, consolidar e depois introduzir um novo pensamento, novas ideias, nova postura, não é em dois anos que vamos conseguir fazer isso. Fizemos o compromisso de que vamos ter de trabalhar juntos para ganhar as eleições, ampliar a plataforma e varrer com a mentalidade corrupta, negativa, abusiva, mentalidade de demagogia e de populismo”, disse.

Questionado sobre qualquer cenário de acordo está excluído, Alkatiri disse que “há várias formas” para o processo eleitoral de 2023, sem excluir uma coligação pré-eleitoral entre os três partidos.

“Há vários formas. A plataforma agora não é uma coligação. Tudo é possível, inclusive uma coligação pré-eleitoral, se isso demonstrar ter mais força e mais vantagens”, disse.

O PLP e o KHUNTO venceram as eleições antecipadas de 2018 numa coligação pré-eleitoral com o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão, que abandonou o executivo em 2020.

No que toca às presidenciais e sem querer avançar nomes, Alkatiri disse que estão a ser definidos para já “quadros de ação política” e que a escolha do candidato “é posterior”, sendo que será alguém que conte com o apoio dos três partidos.

Considerando que todos consideram “positivo” o balanço dos últimos oito meses de governação a três, Alkatiri disse que “não é fácil mudar a governação desastrosa de 12 ou 13 anos” — numa referência a executivos liderados pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão.

“Uma governação antissistema, anti-Estado, concentrada no ego de uma pessoa. É preciso mudar isso para ter uma visão mais coletiva”, considerou Alkatiri, líder do maior partido do país.

Assegurando que a relação entre os partidos no executivo “está bem”, Alkatiri disse que o maior problema é “mudar mentalidades criadas durante anos”, inclusive nos anos de 2015 e 2016 em que membros da Fretilin, incluindo o então primeiro-ministro, Rui Araújo, integraram o VI Governo.

“As pessoas pensam que a lei orgânica que confere competência aos membros do Governo, os converte em donos de cada Ministério ou Secretaria de Estado. O que é absolutamente inaceitável”, enfatizou.

“O Governo é um coletivo que depende do primeiro-ministro. As competências dos ministros e secretários de Estado derivam da competência do PM e não o contrário”, sublinhou.

Alkatiri declara-se “contra qualquer remodelação do Governo nesta altura”, recordando que isso não pode ocorrer com tão curta convivência das três forças.

“Não é depois de uma experiência de oito meses, e na tentativa de mudar erros de 12 anos que vamos dizer que os ministros não servem. Sejamos honestos: o sistema é que está viciado”, disse.

“Agora a estabilidade existe porque fizemos meses de construção de confiança e não há aqui ninguém a utilizar ninguém só para estar no poder. O que se pretende é mudar no sentido positivo, mas sem destruir”, sublinhou.

E insiste que “este é o primeiro Governo a três onde não há realmente nenhum a querer usar o outro” e onde o esforço é “no sentido de definir novas formas de entendimento entre os partidos político”.

“Não é: ‘eu sou o senhor, eu comando e eu uso'”, afirmou.

Questionado sobre se a militância da Fretilin apoia esta opção, Alkatiri insistiu que se não é ele próprio a ter o apoio do partido, nesta altura não há mais ninguém a ter”.

“A aliança não pode terminar em 2023 e deve continuar. Vamos ter um plano de ação 2021-2023, um plano político de consolidação da plataforma. Uma equipa vai preparar o plano e muito brevemente vamos ter um retiro da plataforma”, disse.

Desde já, Alkatiri admite que há correções a fazer e que “têm de ser introduzidas rapidamente em relação ao executivo”, não trocando membros do Governo, mas “introduzindo novos métodos de trabalho”.

Por Lusa

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