EUA. Maioria apoia condenação de Trump no Senado

8/02/2021 23:07 - Modificado em 8/02/2021 23:07

A maioria dos norte-americanos apoia a condenação do ex-presidente Donald Trump no julgamento do processo de destituição, no Senado, mas a mesma sondagem da Ipsos revela que o eleitorado do partido republicano se opõe fortemente à possibilidade.

Na véspera do início do julgamento de Trump no Senado, acusado de incitamento do assalto ao Capitólio a 6 de janeiro em que morreram 5 pessoas, a sondagem Ipsos/ABC News indica que 56 por cento dos norte-americanos são favoráveis à condenação do ex-presidente, para que não volte a candidatar-se à Presidência dentro de 4 anos, possibilidade que Trump tem deixado em aberto.

Demonstrando a divisão entre os eleitores norte-americanos, a mesma sondagem indica, contudo, que 80 por cento dos republicanos se opõe ao julgamento no Senado do ex-presidente de 74 anos de idade. 

Os debates no Senado serão transmitidos em direto em todo o país, esperando-se que os procuradores recorram a imagens de vídeo do assalto e também do comício que o antecedeu, nas imediações do Capitólio, enquanto decorria neste edifício a contagem dos votos do Colégio Eleitoral, que formalizava a eleição do democrata Joe Biden.

Trump é o primeiro Presidente a ser sujeito a um processo de ‘impeachment’ por duas vezes no mesmo mandato e o único a ser julgado politicamente depois de já ter abandonado o cargo.

Depois de ter sido absolvido no processo de ´impeachment´ de 2020, os democratas pedem um veredicto rápido, mas os republicanos também já anunciaram que tentarão travar o julgamento, questionando a legitimidade do Senado para acusar um Presidente que já não está em exercício.

A Constituição determina que a condenação só será válida se tiver o apoio de dois terços dos 100 senadores, dos quais 45 são republicanos, e destes poucos se mostram favoráveis à condenação do ex-presidente.

Na terça-feira, a partir das 13:00 de Washington, os senadores irão reunir-se para tentar chegar a acordo sobre o programa das audiências. 

Numa petição apresentada hoje no Senado, na véspera do arranque do julgamento político de Trump, os advogados do ex-Presidente consideram que a acusação está ferida de inconstitucionalidades, prenunciando argumentos jurídicos e constitucionais que pretendem apresentar ao longo dos próximos dias.

A defesa de Trump irá argumentar que o ex-Presidente estava apenas a exercer os seus direitos da Primeira Emenda da Constituição (de proteção à liberdade de expressão), quando contestou os resultados eleitorais e incitou os seus apoiantes a manifestarem-se pacificamente junto do Capitólio.

Os advogados confirmaram que Trump não prestará declarações no Senado, num julgamento que não terá testemunhas e que será interrompido no sábado, a pedido da equipa de defesa do ex-Presidente, para respeitar o dia sagrado judaico.

O artigo de destituição aprovado na Câmara de Representantes acusa Trump de “incitação à insurreição”, imputando-lhe a responsabilidade direta pelos atos de violência no ataque ao Capitólio, em 06 de janeiro, que provocou cinco mortes.

Os advogados de Trump dizem também que o Senado não tem o direito de julgar o ex-Presidente, por este já ter abandonado a Casa Branca no dia 20 de janeiro, num argumento que é contestado pelos democratas e por alguns constitucionalistas.

Por Lusa

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