Cassiano Rodrigues: “Ninguém está preparado para perder um ente querido vítima da Covid-19”

8/02/2021 22:51 - Modificado em 8/02/2021 22:55
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Vinte pessoas em São Vicente já morreram da covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, deixando uma enorme dor e tristeza nos familiares, que não conseguiram despedir-se dos seus entes queridos como é o caso de Cassiano Rodrigues que perdeu a mãe.

Das pessoas que perdem a vida com a infeção pelo novo coronavírus, grande parte são pessoas com mais de 70 anos e com outras patologias associadas, mas a dor e o vazio ficam para toda a vida. Uma dor vivida por Cassiano Rodrigues, que conta ao NN que a 20 de janeiro perdeu a sua mãe vítima da covid-19 em São Vicente e para sua grande mágoa não conseguiu despedir-se dela, causando-lhe uma dor inexplicável.

“Foi uma imensa tristeza, porque àquela pessoa que te deu tudo queres sempre dar um funeral digno e não foi o que aconteceu. É mesmo doloroso, não acompanhar o teu ente querido até a sua última morada. Ninguém está preparado para perder um ente querido com a covid-19” aponta.

Este conta que a morte da sua mãe, de 86 anos, foi uma situação inesperada, visto que tinha perdido o seu pai no passado mês de dezembro de 2020, mas que faleceu por causas naturais. “Precisamente um mês e quatro dias após o funeral do meu pai, fui apanhado de surpresa com a morte da minha mãe por covid-19. Foi um momento muito complicado e um choque muito duro” salienta.

Cassiano Rodrigues, residente em Santa Isabel no Paul, afirma que a sua mãe que residia em São Vicente, deslocou-se ao Porto Novo para o funeral do marido, aparentando estar bem de saúde, pelo que a notícia de que tinha sido infetada com o vírus causador da covid-19, foi um momento de espanto para a família.

“Todos os familiares fizeram o teste e tiveram resultados negativos para a doença. Por isso, não sabemos explicar como apanhou o vírus” sustenta.

No entanto, vinca que foi um momento “muito difícil”, porque ao saber da notícia da morte dela já não conseguiu viajar para São Vicente para o funeral, até porque a enterraram logo após a sua morte. “Foi um choque muito duro. Isto é uma situação que ninguém merece passar, porque todos querem enterrar os seus entes queridos com dignidade o que não aconteceu no caso da minha mãe” reforça.

O mesmo alerta as pessoas a se resguardam e procurem cumprir com as medidas de proteção, porque diz que perder um ente querido e não conseguir dar-lhe um funeral digno “é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano”.

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