Covid-19 provocou a perda de empregos a muitas empregadas domésticas são-vicentinas

7/02/2021 23:27 - Modificado em 7/02/2021 23:28

A pandemia do novo coronavírus acentuou a perda de empregos por parte de muitos mindelenses, sobretudo das empregadas domésticas, que foi um dos setores mais atingidos, pelo que vivem neste momento situações difíceis e à espera de dias melhores.

Com o aumento de casos de infetados pelo novo coronavírus, sobretudo em São Vicente, muitos foram aqueles que se viram demitidos dos seus empregos. A nossa reportagem traz a história de algumas empregadas domésticas que nos contam como perderam o emprego e as dificuldades por que passam neste momento.

Uma das nossas entrevistadas, recém-licenciada, que não quis se identificar, revela que tudo começou quando uma companheira com quem morava na mesma casa testou positivo para o novo coronavírus. Nisto, teve que fazer o teste PCR para despiste da covid-19, tendo cumprido o tempo estipulado em isolamento à espera do resultado, mas salienta que entrou em contacto com a entidade empregadora sobre o sucedido.

Esta conta que a entidade empregadora disse entender a sua situação e afirmou que o seu emprego estava assegurado quando houvesse resposta por parte das autoridades sanitárias.

“Só que quando recebi a resposta do teste para a covid-19, que foi negativo, assim como para os demais companheiros de casa, entrei em contacto com a entidade empregadora, comunicando que o resultado do teste tinha sido negativo, mas fui surpreendida quando me disseram já ter contratado outra pessoa para o cargo. Tal foi o meu espanto que pensei em muitas coisas para este desfecho” aponta.

“Acho que ficaram com medo, porque não há mais explicações para tal decisão. Desde sempre cumpri com as minhas obrigações e nunca houve atritos entre nós. Estou numa situação difícil neste momento, porque tenho muitas despesas e ainda uma filha menor para ajudar.

Nisto, afirma que perdeu todo o seu rendimento, ficando mergulhado em dívidas que tem que liquidar. Tem contado com o apoio de alguns familiares, até que a situação melhore, mas garante que não vislumbra uma solução para dias melhores.

“Já meti papéis em tudo quanto é lado aqui em São Vicente, mas até ao momento ainda não tive um feedback positivo, mas não perdi a esperança. Mas a covid-19 trouxe-nos muitas dificuldades e barreiras que ainda não sabemos como ultrapassar” sustenta.

Uma situação compartilhada por Maria Chantre, que nos seus mais de 40 anos conta que o aumento da crise económica obrigou a família a reduzir as despesas, mas frisa que o medo pela contaminação do vírus pode ter sido determinante para a sua dispensa.

Esta aponta que foi dispensada pelo patrão, que disse ter medo que ela se contaminasse nos transportes públicos. Após três meses desempregada, está fazendo limpeza por meio período, duas vezes por semana.

“A pandemia colocou-nos numa situação muito difícil. Até que compreendemos os patrões porque não moramos na mesma casa, temos que apanhar o autocarro para o trabalho e nisso o risco de contaminação aumenta” explica.

Mas, assevera que deveriam ser criadas condições para que as empregadas domésticas tivessem outras regalias com a crise que se despoletou com a pandemia da covid-19. 

“Fui demitida porque durante o isolamento decretado para o controlo da pandemia, os pais ficaram em casa e assumiram os afazeres domésticos” assegura Josina Conceição, que nos confidencia ainda que desde o mês de Maio procura um novo emprego, intenção que se tem revelado infrutífera até ao momento.

“Era visível a cara de medo deles quando chegava ao trabalho. Pensei em pedir demissão, mas tenho família para sustentar. Mas acho que ganharam coragem e me demitiram. Não tenho carteira assinada e fiquei mergulhada num mar de dívidas. Tenho feito alguns trabalhos de tempo em tempo para pagar despesas mas não está fácil vinca. 

Situação semelhante é vivida por outras pessoas que como pudemos constatar perderam os seus empregos devido a covid-19, pelos mesmos motivos ou porque estiveram infetados pelo novo coronavírus.

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