EUA deportaram “apenas” 15 cabo-verdianos em 2020

2/02/2021 17:26 - Modificado em 2/02/2021 17:26

O número de cabo-verdianos deportados, por vários motivos, mas sobretudo imigração ilegal, desceu de 50 em 2019 (68 em 2018) para 15 no ano passado (-70%), revela relatório de deportações do ano fiscal de 2020 (01 de Outubro de 2019 a 30 de Setembro de 2020) da agência federal norte-americana para a Imigração e Alfândegas – Immigration and Customs Enforcement (ICE).

De acordo com o relatório de 2020 do ICE, que actua na jurisdição do Departamento de Segurança Interna norte-americano, Angola ‘destronou’ Cabo Verde na liderança das expulsões entre cidadãos dos PALOP, com 43 deportações, um aumento face às 40 em 2019 e 32 em 2018, segundo dados da Lusa.

Depois de quatro deportados em 2019 – e cinco em 2018 -, nenhum cidadão da Guiné-Bissau foi expulso dos Estados Unidos em 2020, o mesmo acontecendo com São Tomé em Príncipe (tal como nos anos anteriores).

Para a Guiné Equatorial foram deportados sete cidadãos, face aos cinco em 2019 e 2018, enquanto para Moçambique foram deportados dois cidadãos, contra os três no ano anterior e nenhum em 2018.

Já o número de portugueses expulsos caiu para 47, contra os 101 no ano anterior e 96 em 2018.

Ainda nos países lusófonos, o Brasil viu o número de deportados aumentar para 1.902, face aos 1.770 em 2019 e 1.691 em 2018, enquanto Timor-Leste voltou a não registar qualquer caso de deportação, tal como em 2019 e 2018.

No total, os Estados Unidos deportaram no ano fiscal de 2020 um total de 185.884 cidadãos de várias nacionalidades, por emigração ilegal, condenações pendentes e transitadas.

Trata-se de uma forte quebra, face às 267.258 deportações registadas em 2019.

Os EUA já repatriaram para Cabo Verde, ao longo dos tempos, centenas de cabo-verdianos. Em Janeiro de 2017, o ex-presidente norte-americano, Donald Trump, fez aprovar uma nova lei anti-imigração nos EUA em que, além dos casos de crimes graves, indocumentados dos mais diversos países seriam devolvidos aos países de origem.

Cabo Verde receberia, a partir de então, uma deportação massiva de 400 cidadãos crioulo-descendentes e emigrantes ilegais nos EUA, processo esse liderado pelo ex-embaixador do país em Washington, Carlos Veiga. Ao todo, desde os anos 1990 já foram deportados mais de 1300 cabo-verdianos, com destaque para os dos EUA e, a longa distância, repatriados vindos de Portugal e França, segundo dados oficiais.

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