Política Externa: PAICV acusa governo de manchar a imagem, UCID pede esclarecimentos e MPD diz que a política externa não se resume ao número de amizades pessoais

27/01/2021 15:10 - Modificado em 27/01/2021 15:10
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No primeiro dia do debate parlamentar, cujo tema política externa cabo-verdiana, proposto pela União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID – oposição), que foi despoletado na sequência das últimas notícias acerca da nomeação do cônsul de Cabo Verde na Florida e que resultaram na demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros cabo-verdiano, bem como a detenção do cidadão venezuelano Alex Saab e o recuo na nomeação de embaixadores, levaram o partido democrata-cristão a agendar este tema.

Numa das suas intervenções, o deputado nacional da UCID, António Monteiro, reconheceu que a política externa de Cabo Verde, a sua forma de agir e trabalhar, desde a década de 70, ganhou muito prestígio por este mundo fora, tornando-se num importante instrumento do desenvolvimento do país, mas que por estes dias, o país tem sido “sacudido” por algumas situações que impelem a uma profunda reflexão sobre este sector. “Para que caso haja coordenadas mal definidas não vá o barco bater nos rochedos”, refere.

Monteiro, que é também líder da UCID, diz ainda que a abertura de uma Embaixada e nomeação de embaixadores, sendo eles políticos ou não, para logo de seguida se recuar nas nomeações e alargando no tempo a entrada em funcionamento destas instituições do Estado, é uma situação “anómala” e passíveis de minorar a imagem do nosso país a nível nacional e internacional.

E que a nomeação de cidadãos estrangeiros nos Estados Unidos, para exercerem funções de cônsules honorários, num país onde a qualidade técnica e académica de muitos compatriotas é sobejamente conhecida, António Monteiro diz que esta é uma situação que deixa a todos sem o entendimento necessário sobre esta questão.

Em relação ao caso Saab, diz que precisa ser devidamente esclarecida a todos os cabo-verdianos e consequentemente a comunidade internacional e aos nossos vizinhos para se evitar possíveis leituras de ocasião capazes de prejudicar o país e a população.

Por seu turno, para a líder parlamentar do MpD, Joana Rosa, este tema foi escolhido devido ao alarido provocado por diversos sectores políticos nacionais, que encontraram neste momento próprio para mostrar ao país e mundo a sua preocupação sobre situações, com o aproximar das eleições, para desferir ódio, intolerância e malvadez.

Para a deputada do partido que sustenta o governo, a política externa é uma questão de soberania e exige dos atores políticos, principalmente os do arco de poder, mais ponderação, independentemente se se está no poder ou na oposição.

“A oposição deveria ter mecanismos de exercer o controlo das acções governamentais, mas não devem abdicar de princípios e valores democráticos. Estabelecer o jogo político de forma livre, mas séria e responsável sem colocar a imagem do país em causa”… “e que não deve ser tratado de forma egoísta, como se tem tentado fazer no pressuposto que uns se julgam donos da diplomacia”.

Por isso, Joana Rosa justifica que a política externa de um país não se resume a quantas amizades pessoais se construíram e nem ao número de participações do país em fóruns e conferências internacionais. “Muito menos em bazofiarias, mas sim nos resultados e solidificação de boas relações e reforço nas parcerias e na integração da nossa comunidade emigrada, no estreitar das relações diplomáticas e comercias com o mundo, bem como a integração de Cabo Verde enquanto país de integração africana”, elenca.

Em contra-ataque, a deputada do Partido Africano para Independência de Cabo Verde, PAICV, Janira Hopffer Almada, disse que o governo não tem conseguido dar continuidade aos projetos conseguidos pela legislatura anterior, e que desde de 2016 este governo conseguiu “desbaratar” um capital construído ao longo de décadas por vários governos. “A imagem de Cabo Verde no mundo sempre valeu muito mais que qualquer recurso material que não temos e fizeram isso porque não têm uma linha de continuidade”, acusou.

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