Venezuela fez proposta ao Governo para construir uma refinaria de petróleo em Cabo Verde

26/01/2021 00:41 - Modificado em 26/01/2021 00:41
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As autoridades da Venezuela propuseram ao Governo de Cabo Verde a construção, na ilha de São Vicente, de uma refinaria de petróleo para tratamento de parte da produção de hidrocarbonetos extraídos naquele país da América Latina, e cujos produtos finais se destinariam ao abastecimento do continente africano e de parte da Europa.

Numa investigação, a propósito do caso Alex Saab, destinada a saber que tipo e quais seriam os níveis das relações bilaterais entre os dois países, Notícias do Norte (NN) ficou a saber que a proposta do projecto da refinaria foi apresentada oficialmente em reuniões, há cerca de 4 anos na cidade da Praia, entre o embaixador da república bolivariana e autoridades cabo-verdianas.

“Houve reuniões nesse sentido e existem relatórios e actas das mesmas, pelo que não se poderá dizer que a proposta, ainda por cima trazida pelo embaixador daquele país, não foi oficialmente apresentada”, assegurou um alto funcionário do Estado de Cabo Verde, devidamente identificado junto do nosso jornal, que participou num desses encontros.

Não nos foi possível apurar a dimensão do projecto nem da infra-estrutura que se perspectivava, mas especialistas contactados pelo NN explicaram-nos que uma refinaria é sempre uma indústria “muito pesada” e a sua construção objecto de “avultadíssimos investimentos”.

“Estamos a falar de uma infra-estrutura que refina o petróleo bruto e transforma-o em produtos comercializáveis de utilização corrente no nosso dia-a-dia, como a gasolina, o gasóleo, o petróleo, o gaz e os óleos industriais, etc. Sem as refinarias, o petróleo, tal como se encontra na natureza, não serve para quase nada”, explicou um desses especialistas.

Adiantando os potenciais impactos positivos que a montagem de uma refinaria em Cabo Verde poderia ter na economia do país e na vida da sua população, a nossa fonte destacou “os milhares de postos de trabalho que seriam criados, o impacto brutal no nível das exportações nacionais, a entrada de Cabo Verde naquele que é considerado o negócio de matérias-primas mais rentável do mundo e, ainda, o aumento exponencial do PIB nacional e do PIB per-capita” do país.

A refinaria venezuelana de Cabo Verde destinar-se-ia, em princípio, a abastecer os mercados africano e europeu com derivados do petróleo, além de dar resposta, a preços bastante baixos, às demandas do mercado nacional.

A nossa fonte não conseguiu adiantar qual terá sido a resposta do actual Governo à proposta da Venezuela, mas um facto é que o processo não avançou e dele nunca mais se falou, não tendo sequer chegado ao conhecimento público, pelo que será fácil concluir que não terá sido, por razões que se desconhecem, do agrado das autoridades nacionais apesar das suas aparentemente inequívocas vantagens económicas e competitivas.

Um dos óbices à concretização do projecto e à sua não-aceitação pelo Governo seria o alinhamento incondicional do actual executivo cabo-verdiano com os interesses dos Estados Unidos, que têm em vigor um embargo estrito contra a comercialização do petróleo da Venezuela e seus derivados nos mercados internacionais.

As questões ideológicas também desempenham um papel importante nestas questões, podendo ter sido esse – aliado ao facto de não ter querido desagradar aos Estados Unidos – um outro entrave ao avanço do projecto, sendo certo que o atual partido no poder em Cabo Verde nunca veria com bons olhos fazer negócios com um regime considerado de extrema esquerda, como é o de Caracas, ainda que isso trouxesse vantagens óbvias para a economia cabo-verdiana e para a sua população.

Não se sabe, por isso, se o projeto terá morrido ou se está à espera de melhores condições para ser reapresentada e concretizada.

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