“Deixem-me dizer de coração aberto como me sinto profundamente honrado”

25/01/2021 00:41 - Modificado em 25/01/2021 00:42
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Presidente da República discursou esta noite no átrio da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi aluno e professor. Para o seu próximo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que será Presidente de todos os portugueses e garantiu que tem como imediata prioridade o combate à pandemia.

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Após manifestar a sua “gratidão ilimitada” a todos os portugueses que foram às urnas e prestar o seu “testemunho reconhecido” aos restantes candidatos presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa disse estar “profundamente honrado” na confiança lhe foi atribuída com a sua reeleição como Presidente da República. 

“Deixem-me dizer de coração aberto como me sinto profundamente honrado pela confiança em condições tão mais difíceis do que as em 2016”, declarou, o Chefe de Estado, num discurso feito no átrio da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi aluno e professor.

Para os que não votaram em si, Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito com o apoio formal de PSD e CDS, lembrou que irá, “como sempre”, representar “todo o Portugal” e que tem “a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco”

“Quem recebe o mandato tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses. [Tem de ser] Um Presidente próximo, que estabilize, una e que não seja de uns, dos bons, contra os outros, os maus. Que não seja um Presidente de facção. [Tem de ser] Um Presidente que respeita o o pluralismo e a diferença, que nunca desista da justiça social”, argumentou. 

As duas mensagens que Marcelo retirou do voto dos portugueses

Mais, para Marcelo Rebelo de Sousa, esta reeleição, tendo em conta a abstenção – “descontando o efeito da pandemia” – traz duas mensagens que não ignora. A primeira, prende-se com a noção de “que os portugueses, ao reforçarem o seu voto, querem mais e melhor”.

“Querem mais e melhor em proximidade, construção de pontes, justiça social e, de modo mais urgente, em gestão da pandemia. Entendi esse sinal e dele retirarei as devidas ilações”, garantiu.  

A segunda mensagem do Presidente reeleito “é tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão, antes de novas eleições, daquilo que se concluiu que tem de ser revisto para ajustar situações como a vivida e, mais em geral, para ultrapassar objeções ao voto postal ou por correspondência”.

“Objecções essas que tanto penalizaram os votantes, em especial, os nossos compatriotas espalhados pelo mundo. Compreendi este outro sinal e insistirei para que seja, finalmente, acolhido”, acrescentou. 

Os próximos cinco anos

Mas, acima de tudo, o voto dos portugueses neste domingo, demonstrou, para o Presidente reeleito, o que “querem e não querem para Portugal, nos próximos cinco anos”. 

“Não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades desde logo europeias, um sistema politico lento a perceber a mudança, uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes e na vida social e política”, defendeu, deixando um aviso à extrema-direita. 

Ainda durante o discurso, Marcelo Rebelo de Sousa não esqueceu as pequenas e médias empresas, a Presidência portuguesa da União Europeia, o clima ou a gestão dos fundos europeus e prometeu lutar por melhores perspectivas de vida para os portugueses, “para além da mera recuperação”. 

“[Os portugueses] Querem sair, ao fim e a cabo, deste quase ano de vida congelada, adiada, dilacerada para um horizonte de esperança, de projeto e de sonho”, considerou, acrescentando que “temos de partir o quanto antes para podermos atingir a meta a tempo de não deixar esmorecer a esperança. Até porque a melhor homenagem que podemos prestar aos mortos é cuidar dos vivos e, com eles, recriar Portugal”

Apesar de ter elegido o combate à pandemia como prioridade única imediata, nos objetivos para os próximos anos, o Chefe de Estado também incluiu “refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”. “Temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afetos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância”, vincou. 

Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República nas eleições deste domingo, com 60,70% dos votos. Na corrida a Belém estavam sete candidatos: Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP), Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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