Eurico Monteiro: “A importância que se está a dar a um cônsul honorário não tem correspondência com a realidade dos factos”

25/01/2021 00:20 - Modificado em 25/01/2021 00:20
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Numa entrevista ao Expresso das Ilhas, Eurico Monteiro, Embaixador de Cabo Verde em Portugal, considera que o caso do Cônsul Honorário de Cabo na Florida “apesar de todo o mediatismo, a imagem de Cabo Verde não sai beliscada. Todos os sinais que tenho dizem que a imagem de Cabo Verde não está em causa. A nomeação está a ser conhecida mais pela circunstância da demissão do ministro do que propriamente pela escolha. Não vi nenhuma reação de nenhum país, de nenhuma organização, de nenhuma personalidade internacional, de nenhum noticiário focado na nomeação do cônsul”.

Esta observação do embaixador em Lisboa, vem no sentido dos que defendem que este caso, despoletado porque uma reportagem da estação televisiva SIC sobre o partido português Chega, identificou que um dos financiadores desse partido de extrema-direita era o cônsul honorário de Cabo Verde na Florida, “não passa de uma tentativa de intervir nas próximas eleições legislativas e presidenciais em Cabo Verde”.

Com efeito este online revelou ligações do Cônsul Caesar dePaço com todos os partidos do arco do poder em Portugal  e com o presidente da República  Marcelo Rebelo de Sousa. E sabe-se que essas ligações, em Portugal, não levaram a nenhuma demissão pelo facto do ex-cônsul, ser, alegadamente, financiador de um partido da extrema direita. Por isso, mediante os novos dados, onde não existem condenações dos parceiros diplomáticos de Cabo Verde e onde se conhecem outras relações do ex-cônsul, fica a convicção que “o alvo desta história não era nem Caesar dePaco, nem o Ministro dos Negócios Estrangeiros”. Pois, a demissão do ministro devia ter terminado com o assunto, mas como se vê todos os dias ganha outros contornos que já não tem nada a ver com a nomeação do cônsul, mas com as eleições legislativas e presidenciais. 

É assim que faz sentido a afirmação de Eurico Monteiro quando considera que este caso não tem correspondência com a realidade. “A importância que se está a dar a um cônsul honorário não tem correspondência com a realidade dos factos, esta importância tem de ser relativizada e posta no seu contexto: que é de ajudar o país de forma mais privada, na questão da mobilização dos investimentos, nas parcerias económicas e comerciais, mas mais no circuito privado do que nos corredores das repartições públicas dos estados onde estão acreditados.”

O  embaixador de Cabo Verde em Portugal considera que a renúncia do ministro deveria ter terminado qualquer polémica. “A polémica seria menos intensa se não se vivesse um período pré-eleitoral em Cabo Verde. Porque se não se demitisse, seria outro tema, porque não se demite? E ele não quis ser tambor dessa festa. Ele foi responsável e aceitou descer da carruagem, mesmo com todos os ganhos que obteve na política externa”.

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