Andebol/Paulo Moreno: “Meteram-nos entre a espada e a parede”

20/01/2021 21:37 - Modificado em 20/01/2021 21:37
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Foto: SLB

O capitão da equipa de andebol do Benfica, Paulo Moreno, integrou a lista dos convocados de Cabo Verde para o Campeonato do Mundo Egito 2021, que se iniciou no dia 13 de janeiro, onde a nossa seleção realizou um único jogo frente a Hungria, partida onde marcou 3 golos, tendo desistido posteriormente da competição devido a casos de covid-19.

A nossa seleção foi “forçada” a desistir devido ao número insuficiente de jogadores. Pois, a seleção nacional tinha apenas 9 atletas disponíveis, os restantes (incluindo o selecionador nacional, o português José Tomaz) foram infetados pela Covid-19.

Filho de pais cabo-verdianos e nascido em Portugal, Paulo Moreno, pivot de 29 anos, um dos mais experientes atletas do clube da Luz e da seleção de Cabo Verde, deu uma entrevista ao jornal desportivo português A Bola, onde abordou, entre outros assuntos, a forma como às pessoas olhavam e tratavam os jogadores cabo-verdianos.

“Estou triste e desanimado, mas o que me deixa irritado é dizerem que desistimos. Nós não desistimos do Mundial. Não sei o que se passou na reunião entre o presidente da Federação e a IHF, a decisão foi tomada por ambas as partes, mas, a nós jogadores meteram-nos entre a espada e a parede” desabafou o atleta em entrevista ao Jornal ABola.

De acordo com a mesma fonte aconteceram coisas difíceis de entender ou aceitar: “Alguns [jogadores] tinham tido Covid há menos de três meses e agora estavam positivos. Mas estranho ainda, foi termos 3 ou 4 atletas com testes negativos um dia, e estarem positivos no [dia] seguinte e de novo negativos um dia mais tarde. Aliás, ironicamente, à hora do jogo com Alemanha soubemos que um dos rapazes que testara positivo, dera negativo nesse dia. Hoje [dia 19], dos 16 que cá estamos só três tem Covid, logo podíamos ter jogado com Uruguai… e agora vamos embora do Egito com quase todo plantel sem Covid.”

“Vi jogadores da França, Suíça, Alemanha ou Hungria olhando para nós como pessoas com peste.”

Paulo Moreno diz na entrevista lamentar a forma como foram tratados, sendo que na chegada fizeram o teste rápido no autocarro e depois foram levados para o hotel de despistagem de Covid onde ficaram. Aí ficaram retidos quatro atletas.

“Foi uma autêntica prisão. Neste hotel só fiz uma refeição fora do alojamento e foi no dia em que saímos daqui diretos para o jogo com a Hungria. Só no final fomos para o hotel onde estávamos fechados. Não queriam jogar connosco e a Alemanha foi uma delas. Compreendo o zelo, mas a doença não é exclusiva nossa. Tinham receio de qualquer proximidade. Recebíamos as refeições no quarto, só saíamos para ser testados e, nessas alturas, vi jogadores da França, Suíça, Alemanha ou Hungria olhando para nós como pessoas com peste.” contou.

Defensor da honra de um povo “pobre, miserável muitas vezes, mas que não vira a cara à luta”. Moreno não esqueceu o esforço feito para estarem na competição “foi muito difícil reunir budget para o estágio, viagens, até para equipamentos. Provamos que nada é impossível, mas o nosso sonho virou pesadelo” terminou o jogador do Benfica.

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