Opinião – Adeus Trump e bem-vindo Presidente Joe Biden

18/01/2021 23:23 - Modificado em 18/01/2021 23:23
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Como as políticas do Trump causaram dificuldades na Venezuela e forçaram os aliados dos EUA em África a violar o direito internacional.

Alex Saab 16 de janeiro de 2021

“A prisão é essencialmente uma falta de espaço compensada por excesso de tempo; para um recluso ambos são palpáveis”. Assim escreveu o poeta russo-americano Joseph Brodsky. Ao longo dos últimos sete meses de detenção ilegal em Cabo Verde, tive bastante tempo (mas não muita luz) para pôr em dia as minhas leituras. Passo 22 horas por dia sem eletricidade e, além da permissão de 20 minutos de manhã e novamente à tarde, de segunda a sexta-feira, para consultar o meu advogado local, não estou autorizado a falar com ninguém. Estou detido em condições que até o Departamento de Estado dos EUA descreveu como “…que ameaçam a vida”. Também tive “excesso de tempo” para tentar compreender porque é que Donald Trump estava tão empenhado em atacar a República Bolivariana da Venezuela e a nós que trabalhamos para ajudar o povo da Venezuela a satisfazer as suas necessidades básicas. A resposta é simples: Trump cresceu com ódio ao socialismo, aos latinos, aos afroamericanos, aos muçulmanos e praticamente tudo o que tem vida, exceto a si próprio.

Voltaire disse do amor próprio que, “assim como o aparelho reprodutor humano, é necessário, dá-nos prazer e temos de escondê-lo”. O Trump andou obviamente por aí nu. Então, por que é que ele nos odeia? Porque, se o pobre progredir, ele não pode explorá-los tanto. A sua atitude é basicamente nada mais do que a ideia capitalista de explorar o máximo possível os trabalhadores, para que eles produzam o máximo possível ao menor custo possível. Para alcançar os seus objetivos, ele tem de vender a ideia de que o socialismo é mau, que a Venezuela está dominada pela corrupção e que todos os seus governantes, empregados e contratados são corruptos. Ele fez isso de muitas maneiras diferentes. Uma das maneiras mais eficazes é contratar bloggers em todo o mundo. Milhões de dólares foram gastos na contratação de centenas de bloggers, influencers e na criação de sites de pseudonotícias para atacar os países que ele considera serem uma ameaça. O objetivo é, dizer a mentira um milhão de vezes até que as pessoas acreditem que é “a verdade”.

A filosofia de Trump é a do valentão de rua que grita alto o suficiente sobre a liberdade de pensamento, aqueles que pensam de forma diferente à minha morrerão. Estas são as suas táticas me relação à China, à Venezuela e a grande parte do resto do mundo. Humilhou latinos, muçulmanos e afroamericanos. Se ler o que estes bloggers pagos dizem (e 2 eu recomendo que os leia na íntegra, em vez de apenas ler as manchetes) irá observar que a maioria deles, a maioria das vezes, lança os seus ataques com recurso a notícias infundadas, superficiais e, em última análise, falsas. Isto mostra os verdadeiros e negativos motivos por detrás deste esforço. Relatar notícias é uma atividade normal, mas quando o mesmo indivíduo lança um ataque diário contra outra pessoa é uma clara tentativa de mudar a imagem e a reputação dessa outra pessoa.

Trump espalha desinformação 20 vezes através dos seus bloggers pagos, sabendo exatamente quantas vezes deve circular para transformar uma mentira numa “falsa verdade”. Ele usou a sua própria conta no Twitter como uma lâmina afiada para destruir a verdade e promover meias verdades e mentiras descaradas. Sabemos que Trump não lê muito, mas talvez se tivesse ouvido as palavras de James Allen “o autocontrolo é a força, o pensamento certo é a maestria e a calma é o poder”, quem sabe o que poderia ter transcorrido. É como ser levado a julgamento sem uma investigação, sem provas.

Trump e os seus camaradas fazem-no durante todo o dia ao governo do Presidente Maduro e a todos aqueles que trabalham para ele. Trump incita abertamente a violência contra outros estados soberanos, mas agora também, num patético último lançamento dos dados, dentro do próprio EUA, onde recusou admitir que foi derrotado e quase engendrou um golpe. E chamam-nos o terceiro mundo e as Repúblicas Banana! Mas nós, venezuelanos, sabemos como ele é. Não somos estúpidos. Vemos a realidade dos obstáculos que Trump colocou no nosso caminho. Nós não acreditamos nas mentiras dele. Acreditamos no nosso governo e no nosso país, que está a avançar sob a liderança do Presidente Nicolas Maduro.

Não são só os bloggers – a criação do OFAC de Bill Clinton forneceu a Trump a sua própria “superpotência”, tal como os heróis de banda desenhada que ele adora. O que é o OFAC e como é que deu a Trump uma alavancagem inimaginável sobre adversários estrangeiros? É simples: Destrói um país impedindo-o de trabalhar consigo, interrompendo a venda ao país de suprimentos, medicamentos, alimentos básicos, congela os seus ativos no estrangeiro (70 bilhões USD, no caso da Venezuela). Deixa de emprestar-lhe dinheiro, impede que petroleiros da Venezuela transportem petróleo bruto, alimentos, gasolina, expropria empresas Venezuelanas no estrangeiro, como a CTGO, todo para que o país afunde, porque ninguém ousa correr o risco de ir para a Venezuela ou trabalhar com a Venezuela.

Desta forma, tenta forçar a “mudança de regime”, mas tal como o próprio Trump reconhece, “não contávamos com a resistência de Maduro ou do povo da Venezuela”. Foi exatamente para uma situação destas que o OFAC foi criado. O derradeiro Plano B. Não nos esqueçamos que o OFAC é uma arma política de destruição maciça criada para apoiar o alcance judicial extraterritorial numa escala nunca antes vista na história do mundo. Trump e os seus camaradas elevaram a designação política do OFAC a uma designação quase criminosa. O OFAC pode acusar qualquer pessoa, a qualquer momento, sem aviso, sem a oportunidade de abordar questões antes da designação, antes da destruição de empresas construídas ao longo de anos de trabalho árduo e antes da destruição de vidas e reputações. O OFAC abre então a boca para engolir súplicas e taxas numa escala sem precedentes. Tudo isto sem mencionar os anos que se considera digno de ser ungido “seguro” e os milhões em honorários pagos a advogados que, até recentemente, trabalhavam com as mesmas pessoas que estão a destruir a sua existência. O mesmo se passa comigo. Ele sancionou a mim e aos meus filhos e aos meus irmãos apenas por, aparentemente “serem os filhos ou irmãos de Alex Saab”. Apenas por serem minha carne e sangue, devastam as suas vidas. E para quê? Para que possa derrubar um governo legítimo e substituí-lo por fantoches para obter lucros? Causa o caos resultante de uma incompreensão fundamental das culturas, criando desconfiança e ódio, virando vizinho contra vizinho, tudo com o objetivo de alinhar os contratos para que os camaradas reconstruíssem a infraestrutura cuja devastação ele encorajou abertamente.

É aqui que entram os bloggers. Se ler qualquer um dos anúncios de sanções do OFAC, não provam nada. Apenas dizem: “o site assim diz que fulano é corrupto, logo deve ser corrupto”. Tão simples quanto isso. Leia-os – são do domínio público. Loucura. Julgamento pelas redes sociais. Investigações realizadas através do toque de um teclado em vez de uma recolha de provas adequada. Uma vez sancionado politicamente, tente abrir uma conta bancária. Vão dizer-lhe: “Desculpe, está na lista do OFAC por corrupção”. Do nada, desligam as suas contas, cancelam os seus cartões de crédito, até cancelam a sua conta Netflix e, em seguida, lançam-no no “monte de escória” deles.

O mundo vai ficar parado e deixar isto acontecer? Quem nomeou Trump, o xerife do mundo? Como pode ele simplesmente julgar ou arruinar a reputação de alguém sem qualquer prova? Ele, mais do que qualquer outra pessoa, (ab)usou (d)o infame OFAC para tentar alcançar a sua “mudança de regime”.

Congratulamos a eleição do Presidente Joe Biden e só podemos rezar para que altere as políticas corrosivas feitas por Trump. “A adversidade tende a despertar talentos que dormiam nos tempos prósperos”, escreveu o poeta romano Horácio. As injustiças feitas por Trump e Pompeo contra a Venezuela não serão esquecidas. A Venezuela estará aqui muito depois de ambos terem saído da arena política. A Venezuela emergirá unida e mais forte do que nunca, pronta para retomar o seu lugar no topo da mesa do discurso político e económico não apenas nas Américas, mas em todo o mundo, sob a liderança do Presidente Maduro. Venceremos!

© Alex Saab 16 de janeiro de 2021

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