Novas tensões entre a Etiópia e o Sudão por causa da fronteira

12/01/2021 17:05 - Modificado em 12/01/2021 17:05

A Etiópia disse hoje que as forças armadas do Sudão estavam a avançar numa região fronteiriça reivindicada pelos dois países e avisou Cartum de que a sua atitude “pacífica” em relação a esta questão tinha “limites”.

© iStock

A Etiópia e o Sudão disputam a região fronteiriça de El-Fashaga, 250 quilómetros quadrados de terrenos agrícolas férteis cobiçados por agricultores de ambos os países.

No início de dezembro, Cartum acusou as “forças e milícias” etíopes de emboscarem as tropas sudanesas ao longo da fronteira, matando quatro pessoas e ferindo 20.

Pela sua parte, a Etiópia assegurou na semana passada que o Exército sudanês tinha “organizado ataques de artilharia pesada” nos quais “muitos civis foram mortos e feridos”.

As forças sudanesas continuam a avançar na região, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros etíope, Dina Mufti, denunciando uma violação “inaceitável e contraproducente” do direito internacional.

“Atualmente, as forças sudanesas estão a reforçar as suas posições e a avançar na região … para o interior da Etiópia”, explicou em conferência de imprensa.

O responsável etíope exortou o Sudão a “regressar ao anterior ‘status quo'” nesta região, a fim de dar uma oportunidade às negociações entre os dois países.

“A paz e o respeito pelas normas internacionais continuam a ser a prioridade da Etiópia. No entanto, a Etiópia tem os seus limites”, advertiu.

Dina acusou o Exército sudanês de querer tirar partido do conflito em curso em Tigray, uma região do norte da Etiópia, para alargar a sua soberania sobre a região de El-Fashaga.

A operação militar em Tigray, lançada no início de novembro por Adis Abeba para desalojar as autoridades locais da Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF), forçou dezenas de milhares de etíopes a fugirem para o Sudão.

A fronteira entre a Etiópia e o Sudão estende-se por 1.600 quilómetros e foi criada por um acordo em 1902.

O acordo entre a Etiópia e a administração colonial britânica que governava o Sudão na altura não continha uma demarcação precisa entre os dois países.

Addis Abeba e Cartum iniciaram negociações no final de dezembro, depois de o Sudão ter alegado que o seu Exército tinha recuperado o controlo de todas as terras ocupadas pelos camponeses etíopes na região.

Esta disputa territorial está a minar as relações diplomáticas entre os dois países enquanto tentam chegar a um acordo com o Egito sobre a Grande Barragem do Renascimento, que Adis Abeba está a construir no Nilo Azul.

Por Lusa

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2021: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.