Troca de acusações sobre corrupção entre MPD e PAICV marca início do debate parlamentar

6/01/2021 14:02 - Modificado em 6/01/2021 14:02
| Comentários fechados em Troca de acusações sobre corrupção entre MPD e PAICV marca início do debate parlamentar

O início do primeiro debate parlamentar do ano 2021 ficou marcado pela troca de acusações sobre corrupção entre o MpD (Poder) e o PAICV (Oposição), após o partido no poder ter referido que o PAICV “não tem moral e ética” para levantar suspeições sobre a actuação do Governo.

O mote foi dado pelo grupo parlamentar do MpD na sua declaração política sobre a questão da corrupção em Cabo Verde, durante a qual o vice-líder do grupo parlamentar, Armindo Luz, apontou uma série de situações que na sua perspetiva consubstanciam em casos de corrupção durante a governação do PAICV, prejudicando as empresas e as famílias cabo-verdianas.

Para o deputado dos “ventoinhas” houve claramente uma “delapidação dos recursos públicos” por instituições e gente ligada ao poder de então, desvio de recursos públicos, de obras públicas executadas por empresa de ministros, barragens que não conseguiram reter água, onde foram gastos recursos para tirar muitas pessoas da pobreza.

Sobre a gestão do Fundo do Ambiente, Armindo Luz afirma que foi gerido em contas bancárias de particulares e associações fantasmas, da gestão do Novo Banco, criado para financiar os camaradas, sem garantias e sem contratos de crédito, da gestão danosa do fundo autónomo de apoio à cultura e da má gestão da empresa Cabo Verde Fast Ferry.

“Notícias e fontes do Governo dizem-nos que cerca de 40 processos foram remetidos à Procuradoria da República e, decorridos cinco anos, ao menos o Fundo do Ambiente conseguiu dar um passo e já há altos dirigentes do PAICV constituídos arguidos”, apontou.

“É caso para dizer que o PAICV fala de corrupção e depois esconde-se no seu próprio véu. É a saga do PAICV vendo-se ao espelho” sustentou.

Em defesa do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), o líder do grupo parlamentar, Rui Semedo, disse que essa declaração e esse discurso “já de campanha eleitoral”, demonstra que o Governo sustentado pelo Movimento para a Democracia (MpD) não tem obra para apresentar nesse momento de balanço.

“Está a fazer a sua campanha com base em calúnias, difamação, críticas e perseguição de pessoas, e na tentativa de manchar o carácter de personalidades, de figuras públicas. Esta é a linha e o mote que já foi dado”, pronunciou.

Para já adiantou que os cabo-verdianos precisam que o Governo faça o balanço dos cinco anos de governação, dos compromissos e promessas não cumpridas e de propostas novas para o desenvolvimento de projecção do país.

Rui Semedo reconhece que a corrupção é má em qualquer regime ou governo e afirmou que há, de facto, factos que preocupam como os casos da intransparência nas privatizações.

Por outro lado, questiona porque é que o MpD não fala da gestão do solo e do mercado municipal (Mercado de Coco) em construção na cidade da Praia, e onde estão os 300 mil contos que o Governo previu no Orçamento para a conclusão dessa obra, com quase 10 anos de execução.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2022: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.