Diáspora em debate no Parlamento

16/12/2020 17:16 - Modificado em 16/12/2020 17:16
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A deputada e presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, questionou a intenção do Governo em debater a questão da diáspora em “ambiente de campanha eleitoral”.

Ao intervir no início do debate parlamentar com o primeiro-ministro, sobre o tema “Diáspora e Desenvolvimento”, realizado a pedido do Governo, Janira Hopffer Almada, perguntou porquê é que só agora a maioria se lembrou de debater a diáspora cabo-verdiana.

“Nem em 2016, nem em 2017, nem em 2018 e nem em 2019 e só se vê interesse pela diáspora nesta ponta final do mandato”, disse.

Contudo a líder do principal partido da oposição, frisou que durante o mandato do actual Governo, a política externa cabo-verdiana conheceu momentos, no mínimo, lamentáveis com consequências para a questão da integração dos emigrantes cabo-verdianos.

Em resposta ao questionamento da líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, a líder do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD – poder), Joana Rosa, adiantou que o debate acontece só agora porque o momento é de balanço.

“Várias medidas legislativas e administrativas internas e acções viradas para a nossa diáspora têm vindo a ser desenvolvidas, visando beneficiar e facilitar a vida dos emigrantes cabo-verdianos, quer no país de acolhimento, quanto no regresso ao país, como a isenção de direitos de importação”, apontou.

Joana Rosa disse que o seu partido e o Governo estão cientes de que ainda falta alguma coisa por fazer, mas crentes também em como os compromissos para com a diáspora cabo-verdiana foram e estão a ser cumpridos.

Segundo Joana Rosa, no programa desta legislatura, o governo prometeu a despartidarização das comunidades e a forma de relacionamento entre as nossas embaixadas e as associações, ainda aprovar o estatuto do investidor emigrante, melhorar o atendimento nas embaixadas e consulados e nos serviços em Cabo Verde e “cumprimos tudo”, afirmou.

Por seu lado, o deputado e presidente da União Cabo-verdiana Independente Democrática (UCID), António Monteiro, pediu ao Governo uma maior atenção aos emigrantes para que os mesmos possam ter condições para continuar a contribuir para o desenvolvimento de Cabo Verde.

“Foi graças aos nossos emigrantes que Cabo Verde é hoje um país independente, democrático. Se não fossem eles a lutar contra o regime colonial, regime do partido único, hoje, certeza absoluta, Cabo Verde não era o que é hoje. Por isso considero que qualquer que seja o Governo deve dar aos nossos emigrantes uma atenção maior”.

Para Monteiro os emigrantes não querem nada de forma gratuita, mas querem que sejam criadas as condições para desenvolverem as suas capacidades adquiridas na migração e aquelas que a natureza os conferiu. “A UCID, um partido que nasceu na emigração quer sentir um debate profundo, para apontar soluções para que realmente os nossos emigrantes possam sentir-se confortados e acarinhados”, adiantou.

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