Cabo Verde diagnostica entre 400 e 500 novos casos de VIH, com maior incidência nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Fogo

1/12/2020 23:46 - Modificado em 1/12/2020 23:46
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Cabo Verde tem neste momento uma prevalência de 0,6% do VIH-Sida na população em geral, que aumenta ligeiramente para 0,7% nas mulheres, enquanto nos jovens (15 a 25 anos) a taxa é nula.

Os dados foram avançados, na cidade da Praia, pela secretária executiva do Comité de Coordenação do Combate à SIDA (CCSSIDA) em Cabo Verde, Maria Celina Ferreira, durante o ato oficial para assinalar o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA.

Celina Ferreira avançou que, por ano, o país diagnostica entre 400 e 500 novos casos de VIH, com maior incidência nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Fogo, estando concentrados igualmente em certas populações vulneráveis, como profissionais do sexo ou consumidores de drogas.

A secretária executiva avançou ainda que em Cabo Verde 81% das pessoas que vivem com VIH já conhecem o seu seroestatuto e destas, 73% estão sob o tratamento antirretroviral e destes 41% tem carga viral suprimida.

 Disse ainda que um dos desafios do país é acelerar o processo para obter a certificação da eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) do VIH e sífilis e preparar o país para o cumprimento das metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável.

Essa certificação, explicou, só será obtida após avaliação independente da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que vai acontecer no primeiro trimestre do próximo ano.

Celina Ferreira indicou que serão avaliados um conjunto de critérios, como a questão dos direitos humanos, as leis, o processo do nascimento de cada criança, os cuidados de saúde, as maternidades, os laboratórios.

O ministro da Saúde afirmou ainda que o país pode igualmente pedir aos jovens para que se protejam dos vírus, acabar com a violência contra mulheres e meninas e ainda proteger da infeção os usuários de drogas injetáveis.

Para manter e/ou melhorar os resultados, Arlindo do Rosário disse que é preciso um “forte compromisso” dos governos, mas também de solidariedade, sobretudo este ano “abalado” pela pandemia de covid-19.

As dificuldades provocadas pela pandemia foram referidas por Josefa Rodrigues, vice-presidente da rede das pessoas que vivem com o VIH, entendendo que veio expor as desigualdades sociais no seio das pessoas que padecem de doenças crónicas, sobretudo as que vivem com VIH-Sida.

“Neste momento, a palavra de ordem é solidariedade e responsabilidade de todos, neste duplo combate HIV-Sida e Covid-19”, pediu.

Para Josefa Rodrigues, hoje os ganhos conseguidos na luta contra o vírus da Sida são visíveis no país, com destaque para o facto de nenhuma criança nascer infetada, mas pediu colaboração e envolvimento de todos para manter os resultados.

Este ano, o Dia Mundial de Luta contra a SIDA é assinalado sob o lema “No mundo com covid-19 e VIH-Sida, a solidariedade e responsabilidade partilhada fazem toda a diferença”, e durante o mês de dezembro serão realizadas várias atividades em Cabo Verde para reforçar a sensibilização, a prevenção e a despistagem.

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