Etiópia. Feridos chegam aos hospitais de Mekele após tomada da cidade

29/11/2020 21:42 - Modificado em 29/11/2020 21:42
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Numerosos feridos chegaram hoje aos hospitais de Mekele, capital do norte de Tigray, 24 horas após o anúncio da tomada desta cidade pelo Governo etíope e da vitória militar na região, segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

© Reuters

Acomunidade internacional tem manifestado a sua preocupação com as consequências para os civis da operação militar lançada em 04 de novembro pelo primeiro-ministro, Abiy Ahmed, com vista à substituição das autoridades tigrarianas da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) por “instituições legítimas”.

Não existe até agora uma avaliação precisa do conflito, mas mais de 43.000 etíopes fugiram para o vizinho Sudão.

No sábado, os líderes tigreanos denunciaram “fogo pesado de armas” contra Mekele, onde vivem 500.000 pessoas. Algumas horas mais tarde, Abiy escreveu na rede social Twitter que o exército tinha tomado a capital regional e “levado a cabo e concluído operações militares na região do Tigray”.

Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz em 2019, também garantiu que tudo estava a ser feito “para assegurar que os civis não fossem visados”.

Hoje, 24 horas após a tomada de Mekele, os médicos estão a lutar para lidar com o afluxo de pacientes devido a equipamento e ‘stocks’ limitados, “três semanas após as cadeias de abastecimento terem sido perturbadas” pelo conflito, de acordo com o CICV.

No sábado, o CICV visitou o Hospital Ayder, um dos maiores da cidade, para onde a delegação etíope da Cruz Vermelha tem transportado “os feridos e mortos” e onde os alimentos, medicamentos e equipamento, incluindo os sacos para cadáveres, estavam em falta”.

Desde a operação militar lançada pelo primeiro-ministro da Etiópia que a região tem sido palco de ofensivas militares por ambas as partes.

Mais de 40 mil pessoas abandonaram a região em direção ao Sudão e quase 100.000 refugiados eritreus em campos no norte de Tigray ficaram expostos às linhas de fogo.

Organismos independentes relataram o massacre de pelo menos 600 civis.

A comunidade internacional, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Europeia têm manifestado grande preocupação com o conflito e o seu impacto humanitário, enquanto insistem nos apelos ao diálogo.

Abiy Ahmed tem rejeitado o que apelida de “quaisquer atos de ingerência indesejados e ilegais”, afirmando que o seu país irá lidar com o conflito sozinho.

Por Lusa

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