São Vicente: Delegacia de Saúde sem controlo sobre as pessoas em isolamento domiciliário

27/11/2020 00:19 - Modificado em 27/11/2020 00:20
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O NN apurou que pacientes em isolamento, por serem casos confirmados ou suspeitos da doença, não têm respeitado as regras que os impede de sair de casa enquanto aguardam os resultados dos exames ou o fim da quarentena. À delegacia de saúde e à linha COVID 19 têm chegado várias denúncias de incumprimento.

Em julho passado foi implementado a quarentena e isolamento domiciliar no país, aos doentes infetados pelo novo coronavírus que teve como objetivo reduzir os custos com o internamento de pacientes assintomáticos e libertar espaço nos hospitais e noutras estruturas para doentes graves de covid-19.

E em todos os casos positivos para a pessoa ficar em casa só se tiver condições e a mesma aceite o acompanhamento por técnicos da delegacia de saúde, conforme declarações do delegado de saúde em finais de outubro.

Os doentes após terem feito o teste à COVID-19 e este der positivo, assinam um Termo de Responsabilidade para ficar em casa. Documento que, segundo o delegado de Saúde, só é assinado se o paciente aceitar e tiver as condições sanitárias básicas (quarto e banheiro isolado).

No entanto, o Notícias do Norte apurou que alguns doentes que estão em quarentena domiciliar não respeitam as regras a que se comprometeram. Vizinhos de um prédio de três andares em Monte Sossego viram várias vezes na rua um senhor que estava em isolamento. Também dizem que circula pelo prédio.  

Uma situação que deixa esses moradores preocupados tendo em conta a situação que se vive na ilha, com o aumento de casos. “Ligamos várias vezes para a delegacia de saúde para denunciar a situação, mas nunca vimos ninguém por aqui”, lamenta este morador que questiona como é que se controla estas pessoas em quarentena domiciliar.

“Está contaminado e todos os dias viola o isolamento”, contou este morador que enfatizou a importância do isolamento para evitar a contaminação de outras pessoas, e disse que os pacientes só deveriam sair de casa após autorização e quando tiverem alta.

Esta medida, deveria ser acompanhada da avaliação de risco e seguimento das pessoas pelas autoridades de saúde desde o primeiro dia até ao momento de alta. O certo é que a Delegacia de Saúde muito elogiada quando a ilha não tinha casos de COVID-19 pelo rasteio e isolamento de casos suspeitos, agora já não consegue dar respostas as situações que vão surgindo, o que leva as pessoas ouvidas por este online a considerar que “a Delegacia de Saúde perdeu o controlo, antes corria atras do vírus, agora é o vírus que corre atrás deles”.

Outro caso que o NN apurou diz respeito a uma operária que disse a este online que filho testou positivo para COVID, após uma ida hospital e que o médico informou-a que deveria aguardar em casa. “Ele deu-me a notícia e depois mandou-me ficar em casa e que a delegacia de saúde iria entrar em contacto comigo”. Diz que esperou mais de três dias pelo contacto da Delegacia  de saúde sem saber o que fazer. Acabou por ser apoiada e informada pela direção da empresa onde ela e filho trabalham. Neste caso a cidadã optou pelo auto isolamento enquanto não souber o resultado do seu teste.

Além destes casos, existem outros, como o caso de um dos pais de um aluno que testou positivo e todos na sua sala foram postos em quarentena domiciliar a aguardar os resultados. Mas a questão é quem controla cerca de 35 alunos e os respetivos pais que são contactos diretos?  As pessoas temem que muitas pessoas que estão em isolamento não estão a cumprir e assim a contribuir para o aumento dos casos que se tem verificado na ilha.

Antes, quando a ilha não tinha casos, eram colocados por dia, várias pessoas em quarentena, em espaços criados para esse fim e lá ficavam a aguardar o resultado dos testes. Agora as pessoas que fizeram o teste para saber se estão com infetadas pelo novo coronavírus e que ainda não receberam o resultado precisam ficar em casa, o que muita gente não faz.

Este online tentou, via telefone confrontar o delegado de saúde da ilha, sobre estes factos, bem como a forma como é feito o controlo, se é feito, dos doentes em quarentena domiciliar, mas não foi possível expor o assunto, alegando estar numa reunião.

Numa segunda tentativa, feita via mensagem telefónica, mas este também não surtiu efeito, pelo que aguardamos a resposta do delgado de saúde para uma reacção, que contamos trazer numa próxima edição.

Elvis Carvalho

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