Governo vai pedir ao parlamento para aumentar o limite do endividamento interno

23/11/2020 23:16 - Modificado em 23/11/2020 23:16
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Conforme proposta de lei, o governo vai pedir ao parlamento, na segunda sessão parlamentar ordinária que decorre de quarta a sexta-feira, para aumentar o limite do endividamento interno fixado anualmente em 3% do PIB para 4,5% em 2021.

Esta proposta de lei do Governo estabelece “uma medida temporária de aumento do limite do endividamento interno, no âmbito do contexto da COVID-19”. Isto porque, para garantir a sustentabilidade das finanças públicas, a Lei de Bases do Orçamento do Estado estabelece um limite específico de endividamento anual da administração central, designadamente “o limite anual do financiamento com recursos internos até 3% do Produto Interno Bruto a preços de mercado”.

“Durante o ano de 2021, o défice do Orçamento do Estado financiado com recursos internos pode ir até ao limite de 4,5% do PIB a preços de mercado”, lê-se na proposta de lei, que permitirá ao Governo aumentar a emissão de dívida pública.

O Governo estima um PIB de 194.320 milhões de escudos (1.755 milhões de euros) para 2021 no arquipélago, pelo que o endividamento interno, com um peso de 4,5% do PIB, poderá valer até quase 8.745 milhões de escudos (78,9 milhões de euros) no próximo ano.

“Faz-se necessário estabelecer uma medida temporária que visa aumentar o endividamento interno, no âmbito da COVID-19, enquanto medida preventiva, caso não seja possível adoptar outras medidas de financiamento, sobretudo, externo e donativos, ou diminuição da necessidade de financiamento”, justifica o Governo na mesma proposta de lei.

Em causa, lê-se ainda, estão medidas de “carácter excepcional” que “decorrem de políticas orçamentais de curto prazo, traduzindo-se numa política expansionista do lado da despesa, que conferirá uma maior pressão de necessidade de financiamento por parte do Orçamento do Estado”, aliado “à rigidez estrutural das despesas do Estado, à incerteza da evolução da pandemia e, consequentemente, na arrecadação de receitas fiscais”.

“Contudo, pese embora o Orçamento do Estado para o ano económico de 2021 tenha presente os desafios acima apresentados, os últimos dados relativamente à evolução da situação epidemiológica do país e a nível mundial vêm acentuar a incerteza do quadro macroeconómico e os riscos fiscais, tornando imperativo e de forma prudente identificar e flexibilizar outras fontes de financiamento, nomeadamente através do endividamento interno”, alerta o Governo.

Na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021, que também será discutida e votada na generalidade na sessão parlamentar desta semana, o Governo inscreveu a previsão de atingir os 76.813 milhões de escudos de ‘stock’ em dívida pública emitida internamente — em Títulos do Tesouro e Bilhetes do Tesouro -, um crescimento de 8,3% face ao montante previsto atingir em 2020.

Já o ‘stock’ da dívida externa deverá ultrapassar em 2021, segundo a previsão do Governo, os 206.730 milhões de escudos, um aumento de 5,2% no espaço de um ano.

Globalmente, a dívida pública de Cabo Verde deverá atingir os 145,9% do PIB em 2021, com um peso de quase 40% no mercado interno.

No próximo ano, os desembolsos de dívida previstos pelo Governo ascendem a 16.059 milhões de escudos, com um peso de 63,5% do financiamento externo.

A proposta de Orçamento do Estado para 2021 ascende a 77.896 milhões de escudos , o que corresponde a um aumento de 27,3 milhões de euros em relação ao Orçamento rectificativo.

Depois de uma recessão histórica, entre 6,8% e 8,5% este ano, o ministro avançou que as previsões apontam para um crescimento económico no próximo ano de 4,5%, mas só se o país conseguir controlar a pandemia e se verificar um desconfinamento em todo o mundo.

Para o próximo ano económico — marcado pela realização de eleições legislativas e presidenciais -, o Governo cabo-verdiano prevê ainda uma inflação de 1,2%, défice orçamental de 8,8% e uma taxa de desemprego a reduzir de 19,2% para 17,2%.

C/Lusa

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