“Natureza” e “preço” das vacinas vão determinar a distribuição global

19/11/2020 12:40 - Modificado em 19/11/2020 12:40

O diretor do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana sublinhou hoje que a “natureza” e o “preço” das futuras vacinas contra a covid-19 irão determinar a equidade do acesso a regiões como África.

© Reuters

“Há dois fatores que determinam a solidariedade e uma distribuição rápida e equitativa das [futuras] vacinas [contra a covid-19]: a natureza da vacina, que se relaciona com as suas condições de armazenamento e distribuição, e o custo da vacina”, sublinhou o diretor do África CDC, John Nkengasong, em declarações na conferência de imprensa semanaL em formato virtual, a partir de Adis Abeba.

Nkengasong começou por “celebrar” as boas notícias da semana passada e desta semana “a começar pelas vacinas da Pfizer e da Moderna”, mas sublinhou, a título de exemplo, que a primeira impõe “desafios fortes em termos de armazenamento”, o que limita as suas possibilidades de distribuição no continente africano.

“Cada vacina tem as suas especificidades. Sabemos que a vacina da Pfizer impõe desafios fortes em termos de armazenamento. Um sistema de distribuição baseado numa capacidade de armazenamento de vacinas a temperaturas na ordem dos -70ºC [70 graus celsius negativos, como é o caso da vacina da Pfizer] cria um desequilíbrio na distribuição ou acesso equitativo a essas vacinas”, apontou o diretor do África CDC.

“Isto faz com que seja muito possível que vejamos países do hemisfério norte, com sistemas de saúde e melhores capacidades de armazenamento, a vacinarem primeiro”, concluiu Nkengasong.

“A própria natureza da vacina determina iniquidades no acesso. Não sei se o continente [africano] conseguirá até janeiro criar condições de armazenamento a temperaturas de -70ºC em toda a cadeia de distribuição, ainda que a vacina [da Pfizer] esteja disponível”, acrescentou.

A vacina da Moderna, em contrapartida, impõe condições diferentes. “Penso que permite armazenamentos entre 2ºC e 4ºC por uma período de tempo muito curto. E isto já parece mais prometedor”, considerou o responsável.

“Tudo isto é muito importante”, disse Nkengasong, antes de se referir à outra condição essencial à equidade na distribuição das vacinas: o respetivo preço. “Se uma vacina custar 40 dólares, isso fará com seja exclusiva e o seu acesso impeditivo a muitas regiões do mundo”, avisou.

O diretor do África CDC reforçou, por isso, que o continente, terá “tomar o seu destino nas mãos” e criar os mecanismos próprios, associando-se a empresas e desenvolvendo as suas próprias vacinas, por forma a atingir o objetivo estabelecido conseguir uma taxa de imunização na ordem dos 60% da população. “Mantemo-nos muito firmes em relação a isso”, sublinhou.

A outra preocupação imediata, e para a qual apontam as características das vacinas conhecidas na semana passada, é a da criação de um sistema de distribuição que chegue às regiões distantes dos maiores centros urbanos.

“Estamos a falar em vacinar mais de 100 milhões de pessoas nos próximos meses em todo o continente”, sublinhou Nkengasong. “Torna-se muito desafiante criar as capacidades que permitam a distribuição de vacinas cuja conservação exijam temperaturas de -70ºC. Mas não devemos perder a esperança”, disse.

Em conclusão, o diretor do África CDC sugeriu que o continente deve “olhar para as inovações tecnológicas que permitam a vacinação a curto prazo”, e como contornar os desafios colocados pelas “vacinas de primeira geração”.

Por outro lado, estimou: “Nas próximas semanas podemos ter desenvolvimentos importantes, vacinas que derivem destas, com condições mais estáveis, que nos permitam trabalhar com temperaturas mais altas. Vamos manter a moral elevada e celebrar, antes de mais, as boas notícias”, rematou.

O continente africano ultrapassou hoje os dois milhões de casos de infeção reportados (2.013.388), o que corresponde a 3,6% do total de casos de infeção reportados em todo o mundo. Um pouco mais de 48 mil mortes foram registadas, o que aponta para uma taxa de mortalidade “estável” de 2,4% no continente e representa 3,6% das mortes por covid-19 em todo o mundo.

Por Lusa

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