Obama descarta cargo em gabinete de Biden. “A Michelle deixava-me”

15/11/2020 21:48 - Modificado em 15/11/2020 21:48
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O antigo presidente dos Estados Unidos Barack Obama descartou a hipótese de integrar a nova administração, mesmo que lhe fosse feito o convite.

© Joe Raedle/Getty Images

Numa entrevista que antecede a publicação do seu livro de memórias, ‘A Promised Land’, Barack Obama indicou que não aceitaria uma função na administração de Joe Biden, mesmo que o presidente eleito oferecesse. A única razão é a família.

O antigo presidente dos Estados Unidos desfez assim a hipótese de voltar à Casa Branca, numa entrevista à CBS, este domingo, sendo que irá, à noite, ser entrevistado para o programa ’60 Minutes’, no mesmo canal.

“[Joe Biden] não precisa dos meus conselhos, e vou ajudá-lo de todas as formas que conseguir. Não estou a planear, de repente, começar a trabalhar na Casa Branca ou algo assim”, indicou, quando questionado sobre se iria ajudar a nova administração.

Sobre se aceitaria um cargo no gabinete, a opinião difere um pouco. “Há coisas que não irei fazer porque a Michelle deixava-me. Ela ia dizer logo ‘o quê? Vais fazer o quê?'”.

Há muita especulação sobre o papel do 44.º presidente norte-americano na nova administração, sendo que há já rumores de que duas veteranas do antigo gabinete de Obama, Susan Rice e Michelle Flournoy, estão a ser consideradas para cargos de relevo.

No seu livro de memórias, Obama escreve sobre o impacto que a sua ascensão meteórica no Senado e depois para a Casa Branca teve no seu casamento com Michelle e na vida familiar com as suas duas filhas, Sasha e Malia, agora adolescentes. O antigo presidente explicou que a sua carreira na política, “com as ausências prolongadas, tornou as coisas mais complicadas” para a carreira da mulher, que é licenciada em direito. 

Sobre a situação atual dos Estados Unidos da América e o facto de Trump não ter aceitado a sua derrota eleitoral, ao mesmo tempo em que promoveu teorias da conspiração sobre uma suposta fraude nas eleições, o ex-presidente norte-americano manifestou-se dececionado com o papel desempenhado por alguns legisladores republicanos.

Questionado sobre os 72 milhões de eleitores que votaram em Trump, o primeiro presidente afroamericano na história dos Estados Unidos indicou que esse número mostra que o país ainda está “profundamente dividido”.

“A força desse ponto de vista alternativo está presente nos meios de comunicação que esses eleitores consomem, tem muito peso”, sustentou Obama, admitindo que essa situação o preocupa.

“É muito complicado para a nossa democracia funcionar se estamos a funcionar sobre duas bases diferentes de factos”, referiu Obama.

Relativamente à transição do poder na presidência, que se perspetivou não ser pacífica, Obama frisou que “Joe Biden será o próximo Presidente dos Estados Unidos da América, Kamala Harris será a próxima vice-presidente”, porque “não há base legal” para as acusações de Trump relativamente aos resultados das eleições presidenciais.

Em relação ao apoio que o Presidente cessante teve dos membros do Partido Republicano, que não questionaram as denúncias sem provas de que houve fraude eleitoral, o ex-presidente norte-americano defendeu que “foi dececionante, mas foi algo normal nestes últimos quatro anos”.

Depois de oito anos como vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden irá tomar posse como 46.º Presidente dos Estados Unidos a 20 de janeiro de 2021.

Em Notícias ao Minuto

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