“Ainda um te li” – uma obra de redenção do rapper mindelense MC Seiva – c/vídeo

8/11/2020 23:21 - Modificado em 8/11/2020 23:21
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MC Seiva, um dos rappers mais populares de São Vicente, disponibilizou no passado dia 02 novembro, no youtube o terceiro single do seu sexto álbum, que conforme afirma, retrata a sua estória de superação do vício da droga, da luta que fez para sair das garras deste problema e de assumir a sua adição.

Intitulada “Ainda um te li”, a composição segundo o artista é, também uma palavra de motivação para todos aqueles que se identificam com a sua história e ainda uma homenagem a alguns amigos mortos devido as drogas.

MC Seiva classifica esta nova obra, que atualmente rende cerca de 9.917 visualizações, com um feedback “estrondoso” e que espera que a letra, a mensagem consiga chegar a todos aqueles que viveram ou vivem neste mundo. “É uma chamada de atenção, um alerta para que não usem drogas e também mostrar aos que consomem que é possível, basta acreditar”

Em entrevista a este online, diz este single traz toda a sua alma. “Esta música veio do fundo da minha alma, do meu coração. Das partes mais ocultas do meu ser e, sem tabu, falar sobre este flagelo que atinge a sociedade”, relata MC Seiva que mostra-se satisfeito por estar a escrever “com alma, limpo e sóbrio até a última gota da tinta de caneta”.

Com mais um ano a lutar contra as drogas, diz que a música sempre fez parte da sua vida, inclusive quando estava metido nas drogas e que o inspirou várias vezes e que hoje, com esta nova forma de escrever quer sentir, qual o impacto da sua arte. “Se tiver o mesmo impacto que antes, então droga que era força, mas se for maior, apenas o meu dom é responsável por isso” salienta.

Por isso, com um ano e dez meses (22 meses) sem consumir drogas, declara-se como um abstinente em recuperação, com sede de conhecimento, activista social, um visionário e rapper com sede de viver e que inala “dois oxigénios” e quer ser uma inspiração de vida. De forma resumida, diz que é “apenas alguém que resgatou a sua identidade”.

Conhecido pela sua voz potente com letras críticas, esta música, no entanto, não pode ser definida como o desabafo de alguém que devido as drogas, foi-lhe retirada a sua liberdade e que perdeu vários amigos e camaradas nesta vida.

Uma vida, com disse, e que mais tarde veio a descobrir que a droga é ilusória, a sua satisfação apenas passageira e que esta sempre ganhava, mas hoje, auto intitula-se vencedor. “Sei que sou mais forte, basta não usar. Digo que sou melhor sem drogas e que o meu talento está aqui e posso usufruir dele de forma limpa e sóbrio e dou tudo de mim para o meu rap e mostrar que ele é forte”, reitera.

“A partir do momento que admiti ajuda, mais ainda quando aceitei este problema, rendi-me completamente”, explica este artista que assegura que a partir do momento que tem um problema, automaticamente tem que saber a solução para o problema, mas é preciso render-se e ser humilde e lutar”.

Questionado sobre o passado, diz que na altura vivia para as drogas. “Naturalmente quando se vive para consumir nada é feito por amor, trabalhava para sustentar o vício e o meu trabalho, uma obrigação para ter dinheiro”, lamenta este jovem que garante que hoje, passados dez meses não tem nenhum problema com autoridade.

Sobre a repercussão do tema nas redes sociais, mostra-se satisfeito com o impacto, tendo em conta sua mensagem está a chegar em vários pontos. “Quando lancei apenas um trecho online, sabia que o som teria impacto, por parte daqueles que se identificam com Seiva”.

Em relação a projetos futuros, sem avançar nada em concreto revela que tem muitos e com a sua sede de conhecimento e com a esperança e que a vida vai dar reviravolta e cada dia é uma dádiva, Vai vencendo diariamente o mundo das drogas, e quer demonstrar que é possível viver um novo estilo de vida. Vida sem drogas!

Tem seus próprios sonhos e quer vencer pelo seu esforço próprio. Viver do esforço do seu trabalho. Trabalho digno.

A homenagem no final do vídeo diz que são de seis amigos brutalmente assassinados, devido a este mundo de droga. “Nem todos usavam, mas estavam em ambiente de risco”.

Por isso emocionado falou abertamente sobre isso e quer continuar a quebrar o tabu e mostra que a morte deles, representam que a droga é ilusória e que se não estivessem no ambiente “estaríamos juntos e isso mostra que já perdi muito”.

EC

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