Projeto “Social Biblioteca” considera preocupante a falta de bibliotecas nas comunidades

3/11/2020 00:24 - Modificado em 3/11/2020 00:27
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Risia Sequeira – “Social Biblioteca”

Criada no concelho da Ribeira Grande de Santo Antão, a iniciativa literária “Social Biblioteca” começa a contribuir para alterar os hábitos de leitura no município e tem conseguido apoio através de publicidades das entrevistas e partilhas de outras pessoas nas redes sociais.

O número de pessoas que aderiram ao projeto ainda não é muito expressivo, mas Risia Sequeira, mentora da iniciativa, diz que a cada dia surgem mais pessoas para solicitar a troca de livros divulgados na página do Facebook da “Social Biblioteca”, que visa promover uma rede de troca de livros e de incentivo aos hábitos de leitura.

Uma iniciativa que surgiu da sua paixão antiga e que gosta de compartilhar, que é o amor pela leitura, criando assim uma rede de jovens leitores na ilha, e com o objetivo de se estender para outros pontos.

A jovem aponta que a “Social Biblioteca” tem como papel promover a leitura nas pessoas de todas as idades e também estender-se para outras localidades. Pelo que agradece todo o apoio e incentivo, apontando que neste momento a biblioteca está na fase de montagem de uma estante, cujo espaço físico será a sua residência em Ponta de Sol, local onde reside atualmente. “O espaço vai ser pequeno em minha casa, mas aconchegante, estou a trabalhar para que futuramente possa mudar para um espaço maior”, explica Risia.

O espaço que ao longo da sua criação tem conseguido despertar ou reacender a vontade de ler um livro, é o que motiva esta jovem natural de Fontainhas em Santo Antão, que decidiu criar esta pequena biblioteca para incentivar a leitura no suporte físico, usando um dos seus princípios de “não usar o suporte eletrónico para leitura”. Revela que sempre recomenda a leitura no suporte físico, explicando aos leitores os objetivos da biblioteca no suporte físico.

“Estou adaptando ainda estas mudanças”, sublinha esta leitora apaixonada pelos livros que reconhece, no entanto que é difícil, mas não impossível, lembrando, entretanto, que os jovens, cada dia leem muito pouco porque estão cada vez mais influenciados pelas novas tecnologias.

Para criar este incentivo, aponta a criação de clubes de leituras, cantinhos de leitura para os mais novos, incentivar a leitura em casa, como forma de criar o hábito de ler e, também, a diversificação de livros, dar vida às bibliotecas, criar prémios de incentivo, são outros exemplos para mudar isso.

Natural de uma zona de difícil acesso, reconhece que a falta de bibliotecas nas comunidades é preocupante, sustenta que “garantir a acessibilidade a uma biblioteca nas comunidades é promover a inclusão social e a valorização da comunidade promovendo assim a informação e conhecimentos”.

Sobre os projetos, fala em alargar a biblioteca e criar uma biblioteca móvel para lugares onde as pessoas não têm acesso ou contacto com os livros. “Com o crescimento da página no Facebook a procura de livros na minha biblioteca tem crescido”, afirmando que o desafio é conseguir sempre mais livros para a biblioteca.

Diz que o seu percurso profissional contribui para o projeto, na partilha de conhecimentos e informação. Considera que a leitura deve ser considerada pelo leitor como um importante recurso para o seu crescimento, independentemente das novas tecnologias e que através dela, possa obter informações, viver experiências que possibilitam a reformulação de ideias existentes e estimular o contínuo processo de aprender e reaprender.

Pessoas que não costumavam ler estão a aderir à iniciativa de Risia Sequeira, um projeto pessoal de troca de livros e que pretende, através da paixão pelos livros, incentivar hábitos de leitura em Santo Antão e que se espalha por São Vicente.

Há bem pouco tempo a mentora desta iniciativa esteve a frente de uma campanha nas redes sociais da “Social Biblioteca” para arrecadação de materiais escolares, onde conseguiram entregar a 85 crianças kits de materiais escolares, incluindo batas e mochilas, nas comunidades de Ponta do Sol, Fontainhas, Corvo, Forminguinhas e a comunidade de Losna onde também entregaram roupas usadas em bom estado de uso.

EC

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