S. Vicente/Autárquicas 2020: Vencidos

27/10/2020 23:53 - Modificado em 27/10/2020 23:53

Vencidos

António Monteiro   

Hoje analisamos os vencidos na mesma preceptiva que analisamos os vencedores: metas traçadas, sonhos e realidade. E dentro destes quesitos o vencido das eleições do dia 25 de outubro tem a cara de António Monteiro e da UCID.

Monteiro não admitiu outro cenário que não fosse a vitória. Não teve outro sonho que não fosse a vitória. Na sua realidade só cabia a vitória: era desta vez que vencia o Augusto. Agora, na quinta tentativa, era a vez de Monteiro. Obcecado pela vitória “certa desta vez” não ouviu as vozes discordantes dentro do partido, nem as vozes amigas que, com base em estudos que tinham encomendado, lhe fizeram saber “que ainda não era esta a vez de Monteiro”.

Desta vez a culpa nem seria do Augusto, mas sim de um desconhecido chamado Nelson Lopes que estava a construir o seu eleitorado com a fuga de eleitores da UCID para o projeto Más Soncent. O primeiro erro de Monteiro, e que lhe conduz à derrota anunciada, foi ignorar Nelson Lopes. Foi não ter dado importância a esse movimento que arrastava jovens na faixa dos 18/24 anos, cerca de 36 % dos votos do eleitorado, que são a maioria do eleitorado da UCID. Más Socente consegui disputar esse eleitorado com a UCID. Mas Monteiro centrou a sua campanha em ‘Gust’ para evitar uma maioria absoluta que também só existia nos sonhos de Augusto Neves.

Monteiro sentia que a rejeição que no terreno captava sobre Augusto era suficiente para vencer. Mas essa rejeição significava, tão somente, o fim da maioria absoluta de Neves. Monteiro, da mesma forma que desvalorizou a capacidade mobilizadora de Nelson Lopes, desvalorizou a capacidade de resistência de ‘Gust’ e o sprint final onde Neves é forte e bate Monteiro pela terceira vez consecutiva.

Monteiro costuma partir o telemóvel quando perde. Desta vez optou por demostrar o mau perder atacando parte do eleitorado que considera que se deixou comprar e acusou o presidente reeleito de corrupto. Mais lamentável foi não ter aceite a derrota e ter felicitado o vencedor.

Monteiro na corrida para a CMSV foi derrotado em 2004 e 2008 por Isaura Gomes. Em 2012, 2016 e 2020 por Augusto Neves. Será que a culpa é sempre dos outros e nunca de António Monteiro?

Em 2012 escrevi que um dia António Monteiro seria eleito presidente da CMSV, mas que amanhã não é a véspera desse dia. E no dia 25 de outubro, a véspera do dia em que Monteiro será presidente da CMSV ficou mais longe.

Sokols, Batman e CIA

Não deviam ser para aqui chamados pois não concorreram às eleições de 25 de outubro. São chamados por que tentaram via Facebook intervir nas eleições. Quanto ao Sokols, a não ser que as posições do seu líder não têm nada a ver com o grupo, e aí deveriam se demarcar dessas posições, assumiu uma posição contra o candidato do MpD. Mas até aí nada a dizer. O problema foi a forma como ora Salvador Mascarenhas, ora o Batman incarnado em Salvador, ora o Sokols lançaram mão de tudo. Num vale tudo que há muito não se via na política cabo-verdiana. Dois exemplos: o líder do Sokols atacou uma instituição como o SC Mindelense acusando o clube de fazer campanha por que num site, alegadamente, colocou um post a favor de Augusto. O Batman fez o maior alarido, disparou para todos lados, até o Salvador descobrir que o site, afinal nem sequer era o site do Clube Sportivo Mindelense, que este clube não tinha nada a ver com isso e veio pedir desculpas, mas o estrago já estava feito. A mentira já tinha inundando a rede social como verdade.

Na véspera das eleições ataca tudo e todos, com as baterias centradas em Augusto Neves, partindo de um live no Facebook sobre o facto da CMSV estar aberta e com isso, lançando a suspeita sobre um esquema de compras de voto que decorria nas instalações da CMSV. Quando descobriu que na véspera das eleições e no dia das eleições a CMSV está aberta por que é aí que são distribuídos os materiais para as assembleias de voto, reconheceu o erro, mas a mentira, as insinuações já circulavam na rede.

Foi este o método que Salvador/ Batmam/ Sokols usou para interferir na campanha.

Com o prestígio e capacidade de mobilização que o Sokols tinha alcançado, Salvador podia ter avançado para a disputa eleitoral. Respeita-se a decisão de ter recusado disputar as eleições, quando muitos acham que seria o palco ideal para o Sokols levar as suas ideias e projetos ao eleitorado. Mas o que se pedia era uma outra postura do líder do Sokols, de acordo com o estatuto que o Sokols atingiu e não o vale tudo para derrubar Augusto Neves.

Salvador/ Batmam/Sokols ficou a saber que em Cabo Verde, ainda, as redes sociais não ganham as eleições e o que ganha as eleições é o contacto direto com a população: porta-a-porta, bairro-a-bairro.

Eduino Santos

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