PR destaca importância da internacionalização da economia marítima, para afirmação da ZEE do país

13/10/2020 00:29 - Modificado em 13/10/2020 00:29
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Arrancou em São Vicente, esta segunda-feira, a semana inaugural da Universidade Técnica do Atlântico (UTA), presidida pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que no ato da abertura oficial, considerou de extrema importância a Universidade “conceder importância de relevo à perspetiva de integrar as suas atividades na ampla esfera internacional”.

Para Jorge Carlos Fonseca, o nível de internacionalização das atividades das universidades é, ao lado da capacidade formativa e de investigação, muito importante no processo da sua avaliação, aliás, condição essencial para formação de quadros de excelência de nível internacional, fundamental para que os objetivos da Economia Marítima sejam atingidos.  

“Se a articulação internacional é hoje um imperativo para a Universidade, ela, naturalmente, pressupõe, ou melhor, implica uma estreita colaboração com instituições nacionais, universitárias ou não, que laboram na mesma esfera ou áreas afins. Por isso, o propósito de estabelecer relações muito estreitas com instituições como o IMAR, o GEOMAR, o Instituto Nacional da Meteorologia e Geofísica, o Laboratório de Engenharia Civil, com as empresas, é bastante positivo”.

E considera, ser inteligente e sábia a decisão da UTA de incorporar a agricultura na sua estratégia de promoção da economia marítima, “dado que existe uma interdependência da economia azul com a economia verde que, quando devidamente avaliada”, permite que um país como Cabo Verde esteja melhor preparado para tirar vantagens do potencial da economia azul.

Nesta perspetiva, aponta a gestão adequada dos recursos hídricos de superfície e alarga o campo de possibilidades da economia azul enquanto paradigma de desenvolvimento e facilita a otimização dos benefícios de uma economia azul que não seja alternativa/ competitiva à economia verde, mas que, numa base de complementaridade, sirva de alicerce ao processo de desenvolvimento na perspetiva da Agenda 2030.

E, neste sentido, aproveitar o potencial da economia azul supõe uma capacidade endógena para uma avaliação criteriosa dos recursos na zona económica exclusiva, recomendando a sabedoria que, nos casos de dificuldade, se busque, na cooperação internacional, a competência externa para o efeito.

“Uma cooperação internacional propiciadora de trocas de experiências, devidamente organizada e que permita a criação de mecanismos que tornem efetivo o combate à pesca clandestina, selvagem e ilegal, fenómeno este que inviabiliza os esforços de manter a segurança alimentar a um nível satisfatório e não permite um adequado desenvolvimento industrial do sector”, explicou na sua intervenção.

A Universidade Técnica do Atlântico (UTA), concebida como pilar do ensino superior do Campus do Mar, consubstancia a vertente da formação e investigação do projeto da Zona Económica Especial Marítima em São Vicente (ZEEM-SV)e que do ponto de vista do Chefe de Estado, responderá às necessidades da economia marítima/azul, no domínio da formação de quadros superiores e técnico-profissionais para o país, a sub-região e os PALOP.

“Neste quadro, será de uma grande importância a promoção da pesquisa aplicada com vista à materialização das estratégias de desenvolvimento e internacionalização da economia marítima e ao incremento da competitividade e da produtividade das empresas que operam no sector”, refere.

Jorge Carlos Fonseca sublinhou ainda que a Zona Económica Especial (ZEE), tendo a economia marítima como um dos pilares, será mais facilmente bem-sucedida se a aquacultura for integrada no seu Plano Estratégico, não só como alternativa de rendimento para as famílias, mas também como um sector vital para a afirmação da ZEE enquanto espaço económico dinâmico e vitalizador da economia nacional.

“A aquacultura é uma atividade pouco explorada em Cabo Verde pelo que será, provavelmente, necessário o concurso da assistência técnica internacional para a elaboração de projetos que promovam a aquacultura no nosso país”.

E que a vulgarização da aquacultura aumentaria, significativamente, o potencial da economia azul em reduzir a pobreza e o desemprego. “Feita numa perspetiva industrial e não de subsistência, a aquacultura é, ao lado da agricultura, uma forma sublime de valorizar os recursos hídricos de superfície”, reiterou. 

A UTA, sedeada em São Vicente, foi criada pelo governo em dezembro de 2019. Absorveu a antiga Faculdade de Engenharias e Ciências do Mar da Universidade de Cabo-Verde.

A instituição foi originalmente desenhada para incluir na sua estrutura o Instituto Superior de Ciências e Tecnologias Agrárias e o Instituto de Turismo e Aeronáutica, criados de raiz, além do já existente M_EIA – Instituto Universitário de Arte, Tecnologias e Cultura.

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