Rússia avalia eventual reunião entre Arménia e Azerbaijão

8/10/2020 16:20 - Modificado em 8/10/2020 16:20
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A Rússia está a efetuar consultas com a Arménia e com o Azerbaijão para reunir em Moscovo os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, que se enfrentam atualmente numa guerra no território separatista de Nagorno-Karabakh.

© Reuters

“Apresentamos a proposta de uma plataforma em Moscovo para realizar uma reunião dos chefes das diplomacias da Arménia e do Azerbaijão, com a presença dos copresidentes do Grupo de Minsk [Estados Unidos, França e Rússia] da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)” disse em conferência de imprensa a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zayarova.

Segundo a porta-voz, as consultas de Moscovo com os representantes de Erevan e de Baku situam-se em torno de um possível calendário para o início de negociações.

“A Rússia, enquanto país neutro e membro do Grupo de Minsk, está a fazer esforços para que se obtenha um cessar-fogo e para criar as condições para se retomar o processo de negociação”, acrescentou Zayarova.

Nesse sentido, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, vai reunir-se na próxima segunda-feira em Moscovo com o homólogo arménio, Zohrab Mnatsakanyan, que visitará a capital da Rússia de 11 a 13 deste mês, para abordar o conflito em Nagorno-Karabakh.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros azeri, Jeyhun Bayramov, seguiu hoje para Genebra (Suíça) para se reunir com os copresidentes do Grupo de Minsk para transmitir a posição do Azerbaijão sobre a solução do conflito armado no enclave separatista, retomado a 27 de setembro passado e que já superou, em intensidade, a Guerra dos Quatro Dias, em 2016.

O Grupo de Minsk para a resolução do conflito em Nagorno-Karabakh é copresidido pelos Estados Unidos, França e Rússia, cujos líderes e chefes da diplomacia têm, nos últimos dias, apelado insistentemente a um cessar-fogo e para o regresso à mesa de negociações.

Enclave separatista arménio em território do Azerbaijão, país vizinho do Irão, o território do Nagorno-Karabakh é palco de violentos combates entre forças arménias e azeris desde 27 de setembro. 

Nagorno-Karabakh, habitado na época soviética por uma maioria arménia cristã e uma minoria azeri muçulmana xiita, efetuou a secessão do Azerbaijão após a queda da URSS, motivando uma guerra com 30.000 mortos e centenas de milhares de deslocados. 

A frente está congelada desde um cessar-fogo em 1984, apesar de confrontos regulares. Os dois campos rejeitam mutuamente a responsabilidade pelo reinício das hostilidades. 

No exterior, o receio consiste em que o conflito se internacionalize numa região, o Cáucaso do Sul, onde russos, turcos, iranianos e ocidentais possuem interesses, e quando Ancara encoraja a ofensiva de Baku e Moscovo está ligado a Erevan por um tratado militar. 

O Presidente azeri, Ilham Aliev, excluiu qualquer trégua sem uma retirada arménia do Nagorno-Karabakh e acusa a Arménia de pretender envolver a Rússia no conflito, através da sua aliança com Erevan na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC).

Por Lusa

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