Covid-19: Donos de ginásios perspetivam prejuízos avultados com novo encerramento

6/10/2020 22:58 - Modificado em 6/10/2020 22:58
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Impossibilitados de reabrir por decreto governamental, eles lutam para poder voltar a trabalhar e reduzir os prejuízos causados pela pandemia do novo coronavírus.

Os proprietários de ginásios da ilha dizem que o impacto do enceramento destes espaços, desta vez vai ser maior. “Ou abrimos brevemente ou muitos ginásios da ilha vão ser obrigados a fecharem de vez”, garantem.

É que conforme os mesmos, apesar de estarem fechados, o dinheiro está a sair, com despesas de renda, luz e ainda despesas de contrato que têm que ser pagos. Alegando que a situação vai ficar “bastante complicada”. 

A Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE) procedeu esta segunda-feira ao encerramento dos ginásios em São Vicente por tempo indeterminado, devido ao aumento de casos de Covid-19 na ilha, uma situação que conforme estes responsáveis os “apanhou de surpresa”.

Esta segunda-feira, 05, após se deslocarem aos ginásios, os utentes, deram de caras com um aviso, informando que “por ordem do decreto relativo a todos os ginásios em São Vicente” encontram-se encerrados até “segundas ordens”.

Dois meses depois da sua reabertura, a 15 de junho, os ginásios da ilha voltam a deparar-se com a situação de enceramento, numa altura em que a ilha regista 19 casos ativos de covid-19.

O Ginásio Energia, um dos maiores da ilha, anunciou na sua rede social Facebook que encerrou todas as suas atividades.

Em entrevista ao Notícias do Norte, o proprietário, Eder Castro diz que esta segunda-feira, acompanhada pela Polícia, a IGAE procedeu ao encerramento, com efeito imediato do seu estabelecimento assim como de outros na ilha.

Para este jovem que regressou a S. Vicente, depois de estadia fora do país, para dar continuidade ao seu negócio, depara-se agora com esta situação.

“Fiz vários investimentos para poder abrir com força e tentar recuperar do prejuízo provocado pela pandemia”, revela Castro assegurando que o “Energia” estava a funcionar normalmente, respeitando as normas de segurança e com pessoal limitado no espaço”.

Outros responsáveis também se mostram surpresos com esta situação. O Ginásio Gohr segue a mesma linha, alegando que foram apanhados de surpresa.

Outro detalhe importante, é que este encerramento, em nada se compara com a primeira vez, onde explicam, houve um comunicado e foram informados com relativa antecedência.

Mas desta vez chegaram em pleno horário de funcionamento e as pessoas que estavam a treinar tiveram que sair, desabafa este encarregado, dizend estarem sem “chão”. 

Eder Castro do Ginásio Energia, revela que quando abriram as portas, em nenhum momento, durante este tempo a IGAE deu as caras no local, para fazer uma inspeção e inteirar-se dos planos de cada estabelecimento.

Entretanto, a par dos seus colegas, todos estavam a cumprir as regras sanitárias e funcionavam “lindamente”. E que estava prestes a reabrir outros treinos. “Chamei a Delegacia de Saúde aqui, para analisar o espaço para início das aulas de spinning e explicaram quais as medidas a serem seguidas”, entretanto a IGAE chegou e fechou.

No entanto esta decisão também não parece ter “caído no agrado” de quem frequenta os ginásios da ilha. Assim, consideram “inadmissível chegar nos ginásios sem nenhum aviso prévio e encerrarem tudo porque havia um decreto-lei”, que segundo os responsáveis, nunca chegou ao seu conhecimento.  

Os ginásios são considerados um meio de propagação da Covid-19 mesmo seguindo todas as regras e normas de segurança impostas pela Delegacia de Saúde, entretanto, o que deixa indignado o pessoal do “gym” é o facto deste decreto-lei não abranger outros setores.

A título de exemplo, citam a questão dos candidatos as próximas eleições autárquicas andarem por aí e acolá sem máscara e a fazerem porta a porta com abraços beijos e convívios, bares com festas e aglomeração de pessoas e não serem considerados um risco à saúde pública”.

De relembrar que a reabertura destes estabelecimentos, no seu funcionamento deveria observar as normas e orientações constantes do plano de contingência elaborado ou a elaborar pelos estabelecimentos.

Entre os quais obedecer a medidas de segurança excecionais de proteção das pessoas e de restrição de utilização, assentes na gestão dos espaços, distanciamento físico e medidas de higiene.

Os estabelecimentos deveriam assegurar o distanciamento físico entre os utentes, reduzindo para tal a lotação dos espaços em 50% e limitar a entrada de pessoas nas suas instalações e fixar um tempo máximo de permanência de utentes nas suas instalações, que nunca deverá ultrapassar uma hora e definir horários específicos para pessoas de idade mais avançada.

Elvis Carvalho

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