Bielorrússia: Mais de 120 mil protestaram pelo nono domingo consecutivo

4/10/2020 23:42 - Modificado em 4/10/2020 23:42
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Mais de 120.000 pessoas marcharam hoje na capital da Bielorrússia, Minsk, pelo nono domingo consecutivo de protestos contra a reeleição do contestado Presidente Alexander Lukashenko, que conquistou o sexto mandato em eleições consideradas fraudulentas.

© Getty Images

Os manifestantes voltaram a exigir a demissão do Presidente Alexander Lukashenko e a libertação dos presos políticos e a polícia utilizou canhões de para dispersar as multidões.

O centro Viasna para os direitos humanos estimou em mais 120.000 as pessoas que participaram na manifestação.

Os protestos mantêm-se na Bielorrússia há quase dois meses, com as maiores manifestações a ocorrerem aos domingos e a reunirem até 200.000 pessoas.

A onda de contestação sem precedentes no país foi desencadeada pelos resultados das eleições presidenciais de 09 de agosto que entregaram a Lukashenko, que dirige a Bielorrússia há 26 anos, uma vitória esmagadora com 80% dos votos.

A sua principal opositora, Sviatlana Tsikhanouskaya, obteve apenas 10%.

Ela e os seus apoiantes recusaram-se a reconhecer os resultados como válidos, dizendo que a votação foi fraudulenta.

Nos primeiros dias após a votação, as autoridades bielorrussas reprimiram brutalmente os manifestantes, com a polícia a deter milhares e a carregar sobre os manifestantes com bastões, balas de borracha e granadas de atordoamento.

Desde então, o governo reduziu a violência na resposta, mas manteve a pressão, detendo centenas de manifestantes e perseguindo os principais ativistas.

Muitos membros proeminentes do Conselho de Coordenação, formado pela oposição para pressionar uma transição de poder, ou foram presos ou forçados a abandonar o país.

Mais de 10.000 pessoas foram detidas desde as eleições e pelo menos 244 pessoas foram implicadas em processos criminais por diversas acusações relacionadas com os protestos, disse Ales Bialiatski, líder do centro Viasna, citado pela Associated Press.

Mais de 70 pessoas foram declaradas prisioneiras políticas.

No domingo, dezenas de pessoas foram detidas em Minsk e outras cidades. Viasna divulgou no seu website uma lista de manifestantes detidos que reúne mais de 160 nomes.

“Uma campanha de intimidação e perseguição, sem precedentes para a Europa, foi lançada na Bielorrússia contra cidadãos pacíficos que querem eleições livres”, disse Bialiatski.

De acordo com a Associação Bielorrussa de Jornalistas, 11 repórteres bielorrussos foram detidos hoje em várias cidades.

Na semana passada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia revogou a acreditação de todos os jornalistas que trabalhavam para os meios de comunicação social estrangeiros e disse que deviam solicitar novas credenciais.

Tsikhanouskaya, que entrou na corrida presidencial para concorrer em vez do seu marido Siarhei, um popular bloguista da oposição preso em maio, emitiu uma declaração no domingo apoiando o protesto e exigindo a libertação dos presos políticos.

Ela própria foi obrigada a deixar a Bielorrússia por razões de segurança e encontra-se atualmente no exílio na Lituânia.

“Estas são as pessoas que, como Siarhei Tsikhanouski, não vêem a sua família e filhos há vários meses. Estas são as pessoas que sofreram pelas suas convicções e continuam a sofrer. O nosso objetivo é libertá-los. Por isso, apoio todos aqueles que hoje tomam as ruas da sua cidade”, disse Tsikhanouskaya.

“Deixemos o mundo inteiro ver: Os bielorrussos querem viver em liberdade, não na prisão”, acrescentou ela.

Por Lusa

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