Detidas 29 pessoas em França suspeitas de financiar terrorismo na Síria

29/09/2020 16:03 - Modificado em 29/09/2020 16:03
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Vinte e nove pessoas foram detidas hoje em França durante uma operação que visou o desmantelamento de uma rede de financiamento online que alegadamente apoiou membros da Al-Qaida e do Estado Islâmico na Síria, anunciou a justiça francesa.

© Reuters

Ao abrigo desta operação, foram realizadas “55 buscas em 26 departamentos diferentes” no território francês e foram detidas “29 pessoas, com idades compreendidas entre os 22 e os 66 anos”, informou a procuradoria-geral antiterrorismo de França, num comunicado.

Os 29 detidos, detalhou, “são suspeitos de terem injetado fundos na rede em benefício de familiares que se encontravam na Síria”, acrescentando que dois deles são igualmente suspeitos de terem assumido funções de liderança dentro deste sistema de financiamento a organizações terroristas.

A procuradoria-geral antiterrorismo francesa indicou que estas detenções ocorreram no âmbito de uma “investigação criminal preliminar aberta em 24 de janeiro de 2020 por suspeitas de financiamento de terrorismo e de associação criminosa terrorista”, após a identificação “de um circuito sofisticado de transferência de fundos para ‘jihadistas’ franceses que ainda estavam na Síria”.

Segundo a procuradoria-geral antiterrorismo, a rede estava “ativa desde o ano de 2019 e era sustentada principalmente na compra, em França, de vouchers de criptomoedas, cujas referências eram transmitidas por mensagens seguras a ‘jihadistas’ que estavam na Síria e posteriormente creditadas em plataformas de ‘bitcoins’ [uma criptomoeda descentralizada]”.

Os investigadores conseguiram identificar “dois ‘jihadistas’ franceses”, ambos com 25 anos, que estarão na origem desta rede de financiamento, de acordo com a mesma fonte, que precisou que estes dois homens, que estiveram juntos na Síria em 2013, são suspeitos de pertencerem ao grupo terrorista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), organização controlada pelo ex-braço sírio da Al-Qaida.

A procuradoria-geral antiterrorismo informou ainda que estes dois homens são alvo de um mandado de detenção, após terem sido condenados à revelia a uma pena de 10 anos de prisão pelo tribunal penal de Paris em abril de 2016.

“As autoridades judiciárias sabem muito bem que, sem esta ajuda material, as crianças [que se encontram em campos na Síria] estão expostas diretamente a um risco de morte”, reagiu a advogada Marie Dosé, em representação de alguns dos detidos nesta operação.

“Estamos a recusar repatriar estas crianças e a proibir as famílias de lhes prestarem um mínimo de ajuda”, acrescentou a advogada, sublinhando que estas pessoas não tiveram “outra escolha se não enviar dinheiro” aos respetivos familiares.

Por Lusa

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