Projeto quer resgatar cultura de dança em São Vicente

28/09/2020 23:56 - Modificado em 28/09/2020 23:56
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Não importa o ritmo, o lugar, o horário, nem os olhares. É isso que se tem notado, um pouco em São Vicente. Jovens a “invadir” alguns espaços para a prática da dança. Um movimento que ao longo dos anos passou por um desaparecimento, mas que alguns grupos querem voltar a ter esta dinâmica.

E é exactamente isso, que dois jovens, um natural da ilha de São Vicente e outro da ilha do Sal pretendem, através do projecto, “Afro Hip Hop dance” resgatar a cultura da dança na ilha.

Yuran Fortes e Ailton Sousa, iniciaram recentemente no espaço contíguo ao Clube Náutico, um projecto de dança, especificamente dos estilos Afro e Hip Hop, como forma de atrair e cativar os jovens a praticar.

Em entrevista ao Notícias do Norte, Yuran Fortes conta que há vários anos que dançam e sempre que fazem isso, costumam ver a alegria estampada no olhar, principalmente das crianças e não só. E que isso os motivou a dar este passo, como forma de trazer as pessoas a vivenciarem esta bonita arte.

Por isso aliou-se a Ailton Sousa e juntos querem, a partir do espaço onde estão neste momento, trabalhar e ensinar o que sabem, ou seja, dividir e transmitir esta paixão aos participantes e ainda aproveitar o que têm para dar. “Há muitas pessoas que gostariam de apreender a dançar, mas por falta de espaço, acabam por desistir e são essas pessoas que queremos trazer aqui e incentivá-los a amar esta arte”, explica Yuran Fortes.

Para este jovem bailarino de 26 anos, natural de São Vicente, este é um projeto que se vai desenvolvendo e mediante a aceitação terá um seguimento, que abarca a parte social que é levar a dança para fora das paredes rumo às zonas e ainda fazer dela um projeto de inclusão social, argumenta.

“Antigamente tínhamos muitos bailes nas zonas, no país e sempre ouvia falar dos famosos bailes em São Vicente, onde a dança rolava solta, mas hoje, para dançar temos que ir a discotecas e gostaríamos de contribuir para o regresso dos bailes dançantes na ilha”, aponta Ailton Sousa que apesar de estar em São Vicente a estudar, quer dar o seu contributo nesta matéria.

Portanto, aclara que o diferencial deste projeto é dinamizar e trazer a este mundo um nada esquecido, e fazer com que as zonas criem dinâmicas de danças, com concursos, bailes, projetos de dança entre outros e com a ajuda de outros bailarinos, sonham em tornar este objetivo numa realidade. “Queremos dar este passo e futuramente ir alargando para outros locais e que futuramente deem passos para seguir em frente”, refere.

As aulas de dança são gratuitas e para todas as pessoas a partir dos dez anos, para que possam, ganhar o gosto pela dança.

O objetivo do projeto é resgatar, vivenciar e valorizar as manifestações da cultura local através da dança.

Natural da ilha do Sal, Ailton Sousa, diz que já tem dois anos em S. Vicente e afirma que tem assistido a uma desvalorização da dança. “Temos muitos grupos de jovens com vontade de dançar, mas infelizmente não tem espaços, a não ser nas praças, para ensaiarem”, como se as próprias instituições tivessem se esquecido desta manifestação cultural, tão importante para o ser humano.

Além do resgate histórico e cultural, existem também os benefícios para a saúde mental e física dos participantes. Além do ganho psicológico, a dança melhora o condicionamento, a respiração, faz o sangue circular de forma mais tranquila, dá mais qualidade para a saúde do coração, além de fazer com que o corpo produza mais harmónios, resultando no bem-estar.

“Acredito que a dança ajuda muitas pessoas no seu dia-a-dia, além de resgatar muitas pessoas da solidão que vivem”, afirma estes jovens que apontam ainda os benefícios para a saúde. “Estimula e exercita a memorização, porque o dançarino tem de gravar os movimentos, a coreografia. Sem falar que ela proporciona conexão entre as pessoas”.

O projeto não possui nenhum tipo de patrocinador, entretanto estes jovens têm como visão realizar continuamente importantes ações em favor do bem-estar das comunidades por meio desta iniciativa.

Elvis Carvalho

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