Defesa de Saab diz que as conclusões da PGR sobre tortura não são razoáveis e pergunta quem guarda os guardas?

9/09/2020 23:42 - Modificado em 9/09/2020 23:42

A defesa de Alex Saab em Cabo Verde, contactada pelo NN para fazer o contraditório à notícia divulgada com base num comunicado da Procuradoria Geral da República, onde se considera que não existem indícios de que Alex Saab tenha sido torturado na cadeia de Terra Boa na ilha do Sal alegando, no entanto, haver “indícios fortes” de que o mesmo vem se “automutilado dentro da cela” esclarece o seguinte. “Entendo que, com seriedade, nada permite afirmar se ele foi torturado ou não. Alex Saab teria de ser examinado por um médico legista para se extrair alguma conclusão sobre a causa das lesões que efetivamente apresenta”. O advogado Pinto Monteiro conclui que “Não posso substituir-me aos especialistas”.  Quanto à visita surpresa dos Procuradores, o advogado considera que é apenas um “achismo”, diz que não houve surpresa nenhuma.   

“O que se diz ser uma visita surpresa de dois procuradores é apenas ‘achismo’”. Estiveram lá durante o período de visita dos advogados e como nenhum deles falava inglês ou espanhol e não podiam conversar com o senhor Alex Saab pediram-me para servir de tradutor”. 

“A visita surpresa durou menos de 20 minutos e as conclusões a que chegaram não me parecem razoáveis. Um deles até disse que ia viajar e queriam tudo muito expedito. Se essa é a base do comunicado da Procuradoria-Geral, constitui mais um episódio da novela que o Governo de Cabo Verde está a escrever a várias mãos e cada uma mais leviana que a outra”.  Mediante esta consideração conclui que “o comunicado do PGR por observação dos seus inferiores hierárquicos vale o que vale. Nada”.

Pinto Monteiro recorda que “já tínhamos apresentado uma queixa por tortura na altura da detenção e até hoje não houve qualquer andamento”. Na altura Alex  Saab terá dito aos seus advogados, no primeiro contacto, que depois da detenção foi torturado, que lhe meteram um saco de plástico na cabeça e jogaram àgua pedindo que ele assinasse o pedido de extradição. O ministro dos negócios estrangeiro da Venezuela, numa carta enviada  ao seu homólogo cabo-verdiano também denunciou que Saab foi torturado e roubado”.

Pinto Monteiro termina considerado “Estranho seria que os procuradores admitissem que houve ou há tortura. Não somos ingénuos! É o célebre problema de quem guarda os guardas!”

  1. José Júlio Soares

    Sempre se pensou que os chamados técnicos forenses é que determinavam, em bases científicas, se alguém foi “espancado” ou se foi “auto-mutilação”!! Agora, ao que parece, os procuradores já fazem isso também, aqui em Cabo Verde!! Somos os “maiores”!!

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