Organizações humanitárias pedem transferência de refugiados de Lesbos

9/09/2020 13:49 - Modificado em 9/09/2020 13:49
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Organizações humanitárias pediram hoje a transferência imediata dos refugiados do campo de Moria, na ilha grega de Lesbos, que foi destruído esta madrugada por um incêndio, e exigem mudanças na política de migração da União Europeia (UE).

© Getty Images

Numa declaração conjunta, a Oxfam Intermón e o Conselho Grego para Refugiados dizem que o incêndio do campo de Mora foi uma “tragédia totalmente evitável”, consequência de anos de “uma resposta errada da União Europeia e dos seus estados membros à chegada de pessoas que fogem de conflitos”.

“Sem ignorar a responsabilidade do Estado grego, o Parlamento Europeu deve iniciar uma investigação sobre as políticas e práticas da UE e dos seus estados-membros que conduziram à gestão completamente desastrosa dos centros de acolhimento promovidos pela UE nas ilhas gregas”, explicou o dirigente da secção de migração da Oxfam na Europa, Evelien van Roemburg.

O Governo grego anunciou hoje que vai declarar estado de emergência na ilha de Lesbos, na sequência do incêndio no campo de refugiados de Moria, que destruiu praticamente todo o local e deixou cerca de 13.000 desabrigados.

Através da rede social Twitter, a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, anunciou que a Comissão Europeia irá financiar a transferência e alojamento para a parte continental da Grécia dos 400 menores não acompanhados que permanecem no campo de refugiados de Moria.

“A anunciada transferência para a Grécia continental de todas as crianças desacompanhadas em Moria é um primeiro passo importante para aliviar esta crise humanitária”, disse o líder do Conselho Grego para Refugiados, Spyros-Vlad Oikonomou, que pediu à UE para apoiar a transferência de todos os requerentes de asilo para locais seguros em toda a Europa.

A porta-voz da Human Rights Watch na Grécia, Eva Cossé, por sua vez, destacou no Twitter que o incêndio “não é uma surpresa quando se tem 12 mil pessoas trancadas num local destinado a 3.000, sob estrito bloqueio. Incêndio ou não, isso poderia ter sido evitado”.

Cossé salientou que os refugiados devem ser retirados e transferidos de Lesbos para o continente para instalações adequadas e humanitárias, protegidas da pandemia de covid-19.

As autoridades gregas decidiram ainda proibir todas as pessoas que viviam em Moria de deixar a ilha para evitar uma possível disseminação do coronavírus que provoca a covid-19, avançou o porta-voz do Governo, Stelios Petsas.

O incêndio foi detetado depois de ter sido anunciado que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste para deteção da infeção da covid-19 e que iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já disse hoje “lamentar profundamente” o incêndio no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, assegurando que a União Europeia (UE) está “pronta para apoiar” a Grécia.

Por Lusa

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