Guias turísticos: “Continuam a faltar estratégias concretas e propícias às necessidades do momento”

24/08/2020 14:46 - Modificado em 24/08/2020 14:46
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Os guias turísticos apontam que devido a covid-19 que assola o nosso país e o mundo, estão desde meados de março sem trabalhar e continuam sem rendimento, pelo que apelam ao Ministério do Turismo e ao Governo por apoio económico.

Sem qualquer apoio financeiro do ministério do sector, os profissionais desta classe avançam que durante uma conferência, foi realizada online no passado dia 07 de agosto, através da plataforma Zoom, o ministro Carlos Santos apresentou um plano de formação para os guias de turismo de Cabo Verde nos próximos meses e que permitirá que os participantes recebam uma bolsa após o cumprimento do mesmo.

Entretanto, alegam que “continuam a faltar estratégias concretas e propícias às necessidades do momento”, pelo que “unidos nesta causa comum, apelam por soluções realistas da parte do Governo e do Ministério, que os permitam sustentar as suas famílias e dar conta das necessidades básicas do dia-a-dia”.

Para a guia Sayde Monteiro radicada na ilha de Santiago, uma formação no sector é “bem-vinda sempre” e quando for de forma estratégica, com metas adequadas às necessidades do grupo laboral em questão num determinado período de tempo.

“Face à pandemia que o mundo enfrenta neste momento, compreendemos perfeitamente a necessidade e a importância da preparação dos guias para o turismo pós-Covid-19. Mas neste preciso momento o que precisamos é de apoio financeiro, ou seja, um subsídio que ajude a resolver os nossos problemas financeiros, sejam eles pessoais, familiares ou sociais. Não achamos adequado e tão pouco de bom-tom, sugerir um subsídio dependente da participação dos guias na formação, conforme foi proposto pelo Ministério durante a conferência. E não é pelo facto de os guias não estarem organizados e/ou formalizados que não podem ceder apoio” vincou.

São mais de mil guias de turismo em Cabo Verde que hoje, assim como vários outros cidadãos, vivem momentos de dificuldade causados pelo constrangimento financeiro e o desemprego súbito resultante da pandemia.

Já Sónia Ferro, em São Vicente, que trabalha como guia há mais de 20 anos, sustenta que “são tantos problemas que os guias estão a enfrentar por não terem uma renda de subsistência”, pelo que diz que a “prioridade é o apoio para as despesas mínimas” como água, eletricidade, alimentação, não só para os guias mas para os seus familiares e os seus filhos menores.

“Alguns dependem da boa vontade dos seus familiares e outros sequer têm apoio. Isto tudo sem falar dos que não fazem ideia de onde tirarão dinheiro na semana seguinte para alimentar as suas famílias, pois não contam com apoio nenhum. Então, digam, onde é que cabe a formação nas nossas cabeças neste momento?” questiona.

Em Santo Antão, Henrietta Guddens, da Casa Maracujá, que representa os guias na ilha tem notado como a falta de rendimento dos guias de turismo tem afetado toda a economia local e nacional. Diz, “tendo um subsídio destinado aos guias, todas as comunidades onde residimos iriam beneficiar, pois com algum poder de compra poderemos continuar a honrar os nossos pagamentos mensais e comprar alimentos nos mercados. Tudo isso contribui para o bom andamento da economia no país.”

Considera ainda que os guias têm dado enormes contributos na economia nacional, levando os turistas para casas de famílias e pequeno comércio, contribuindo assim para a sustentabilidade de várias famílias em todas as ilhas. “Os guias, assim como o resto da população, também somos contribuintes do crescimento económico das ilhas e cumprimos com as nossas obrigações” concluiu.

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