COVID-19: Autoridade sanitária sem controlo e soluções para combater a pandemia na cidade da Praia

14/08/2020 00:53 - Modificado em 14/08/2020 00:53

A cidade da Praia, foco da pandemia da covid-19 em Cabo Verde, continua somando casos da infeção pelo novo coronavírus, depois do anúncio de mais 59 casos, atingindo os 1.847 infetados.

A verdade é que no início do mês de junho a capital do país contabilizava 392 casos de covid-19, mas que já atingiram os 1.847 infetados, levando mesmo as autoridades de saúde a recearem por um colapso do sistema de saúde nesta região do país. Nestes dois últimos dias foram anunciados 129 casos novos na capital.

São assim 1.555 novos casos com 25 mortos desde que terminou o estado de emergência na ilha de Santiago, o que dá uma média de 12 novos casos por dia. Números considerados assustadores e que preocupam tanto as autoridades sanitárias como a população cabo-verdiana.

Este quadro também levanta críticas à forma como Ministério da Saúde tem lidado com a pandemia na capital. E a primeira crítica tem a ver com  a perda de controlo das cadeias de transmissão, o que levou a autoridade sanitária a ficar na posição  de ser vírus a correr atrás em vez de ser  a autoridade sanitária a correr atrás do vírus. Também se questiona o facto de não ter sido levantada uma cerca sanitária à volta da capital  para evitar a propagação do vírus por toda a ilha. Também se estranha que só na semana passada o governo tenha decido aplicar novas medidas de restrição. Medidas estas que não estão a surtir efeito, visto que os casos de COVID-19 não param de aumentar. O governo tenta  transmitir uma sensação de normalidade nas várias áreas de atuação, num clima pré-eleitoral e já ninguém reage quando a capital apresenta 50, 60 ou setenta casos num dia atingido a media de 12 casos por dia e 25 mortos.

A autoridade sanitária apenas apresenta os números da tragédia como quem espera que a pandemia acabe sem que se tome medidas para controlar a situação. São varias vozes que pedem medidas mas eficazes. Entre elas o estado de emergência e o isolamento da ilha de Santiago.

As pessoas não entendem por que a ilha da Boavista foi isolada com apenas  dois  casos de  COVID-19  e esteve  45 dias em estado de emergência devido a cerca de 60 casos. Não entendem e ninguém lhes explicou a disparidade de critérios e muitos menos as bases cientificas dessas disparidades .

  1. Renato

    Pela clareza na exposição dos fatos, pela coragem em dizer as coisas como são e pela linearidade lexical, este artigo certamente poderia ser publicado nos melhores jornais mundiais.
    Infelizmente, tudo é tragicamente verdade:
    – é o vírus que está perseguindo as autoridades de saúde e não as autoridades de saúde que estão a correr atras do vírus
    – é verdade que na Praia nunca se decidiu de isolar zonas e bairros para limitar a difusão do Covid-19
    – é igualmente verdade que o governo, preocupado com as próximas eleições, procura transmitir um sentimento de serenidade à população minimizando o impacto na comunicação diária dos casos positivos
    Ao mesmo tempo, o país está pagando uma conta econômica sem precedentes na história. Os cidadãos estão desempregados, a criminalidade aumenta e as perspetivas de recuperação a curto prazo diminuem dia a dia.
    Parabéns

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