Marinheiro questiona: “Se tenho dois testes negativos e um positivo por que estão a considerar que estou infetado”

12/08/2020 00:31 - Modificado em 12/08/2020 00:31
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Jorge do Reis Andrade é um dos cinco marinheiros que estavam retidos na Gâmbia, desde março, devido à pandemia e que regressaram ao país com chegada na cidade da Praia no dia 28 de julho onde estiveram até o dia 01 de agosto quando seguiram viagem para a ilha de São Vicente no navio Praia d’Aguada. 

A história de Jorge atira por terra todas as teorias e certezas da autoridade sanitária sobre o controlo das pessoas que viajam do exterior ou das ilhas do Sal e Santiago. Jorge veio da Gâmbia, fez isolamento na cidade da Praia. Um teste rápido e um teste PCR que deram negativo. Viajou para São Vicente de barco, no dia 1 de agosto. Em São Vicente conviveu com familiares, amigos e circulou pela cidade. No dia 6 de agosto foi levado para o isolamento no Centro de Estágio da FCF, por que um marinheiro que viajou no navio Praia D’Aguada tinha testado positivo para COVID-19. No dia 8 de Agosto o seu terceiro teste deu positivo. Está em isolamento no centro de Estágio do Mindelo, São Vicente, sem saber o que pensar  e perguntando “se tenho dois testes negativos e um positivo por que estão a considerar que estou infetado?”. 

Em entrevista, exclusiva ao Notícias do Norte, Jorge Andrade fala sobre a sua situação e questiona como é “possível que depois de ter feito dois testes: um PCR em Banjul e um teste rápido na cidade da Praia e todos com resultado negativo, mais o isolamento na cidade da Praia como é que o teste feito em São Vicente deu  positivo?  “O mais preocupante diz é que após ter chegado na ilha conviveu com várias pessoas, entre os quais familiares, visto que os resultados dos testes de despiste tinham dado negativo”.

Este marinheiro de 60 anos, com vários problemas de saúde, diz que não acredita que está infectado com covid-19 e que tudo isso é “uma campanha”, não justificando, no entanto a que tipo de campanha se refere.

Jorge Andrade, residente em Mato Inglês, conta ao NN que ao chegar na cidade da Praia, saíram directo do avião para o Hotel Perla na terça-feira, 28 de julho e dois dias depois, na quinta-feira foram fazer o teste e regressaram ao hotel e no sábado seguiram viajem para São Vicente, com dois testes negativos, um PCR e um teste rápido.

“Ao chegar em São Vicente estive em contacto com muita gente e na passada quinta-feira, 06 agosto, à noite, fomos surpreendidos com um grande aparato de carros em frente à minha casa, porque disseram que um colega tinha acusado positivo”. Conta que a surpresa foi tanta que pensou que estavam atrás de um criminoso, devido o número de polícias presentes para anunciar que alguém tinha testado positivo para COVID-19.

Depois foi levado para o Centro de Estágio do Mindelo onde ficou em isolamento. Mais uma vez recolheram amostras para análise. Para sua surpresa, no sábado, 08, veio a saber, após dois testes negativos, que o terceiro deu resultado positivo.

Sobre os sintomas, já que padece de outros problemas de “saúde gravíssimos”, como insuficiência renal crónica, diabetes, ácido úrico, colesterol, recusa a acreditar neste teste pois, após vários dias não sente nada. “Confinaram-me neste lugar na sexta-feira e no sábado o resultado veio positivo, mas não sinto nada, nenhum dos sintomas que dizem e já na minha idade com outras doenças, deveria estar, supondo a gravidade da doença, numa cama de hospital. Estava constipado mas, até isso passou e todos os meus contactos deram negativo”, desabafa.

Neste sentido, diz que não sabe em quê acreditar, já que a pessoa mais próxima, a mulher, fez o teste e deu negativo. E questiona o porque de após mais de 10 dias, “dizem que já não se infecta ninguém, então o que faço confinado”.

Diz ainda que um dos colegas, cujo exame deu resultado negativo, está confinado, no mesmo local, à espera do resultado de outro teste PCR cuja amostra foi recolhida esta terça-feira. Os testes negativos merecem ser repetidos, mas os positivos “são perfeitos”, aponta.

Sobre o tratamento que está a ser sujeito, diz que diariamente recebe um comprimido de vitamina C, mais nada.

Uma situação que não deixa no entanto de ser preocupante, tendo em conta que estiveram mais de uma semana a circular livremente na ilha pelo que pode haver mais pessoas infectadas em São Vicente, mas até ao momento os contactos conhecidos deram todos negativo.

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