Mais de 70 mortos e milhares de feridos após explosões em Beirute

5/08/2020 00:34 - Modificado em 5/08/2020 00:35

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, já assegurou que os responsáveis por esta “catástrofe”, referindo-se às duas fortes explosões que abalaram Beirute, “irão pagar pelo que fizeram”.

Mais de 70 mortos e milhares de feridos após explosões em Beirute
© Getty Images

Pelo menos 78 pessoas morreram na sequência de duas explosões sucessivas de grande dimensão, na capital do Líbano, em Beirute, durante a tarde desta terça-feira. Os números das vítimas mortais (que estão em constante atualização) são avançados pela Reuters que cita o ministro da Saúde libanês às 23h.

As explosões ocorreram na zona portuária da cidade e Hamad Hasan confirma ainda que há quase quatro mil feridos. 

“Há muitos desaparecidos até agora. As pessoas estão a perguntar às autoridades de emergência pelos seus familiares e é difícil fazer buscas à noite porque não há eletricidade”, disse o ministro à agência.

Um responsável da Cruz Vermelha do Líbano conta que centenas de pessoas feridas estão a ser levadas para os hospitais. Outros continuam presos nas suas casas, devido aos escombros

Como ocorreu a explosão?

As fortes explosões partiram janelas a quilómetros de distância, segundo conta a AP. As autoridades já confirmaram, que a explosão ocorreu numa área onde estava armazenado fogo de artifício e material explosivo que tinha sido confiscado há seis anos. Abbas Ibrahim, diretor da Direção-Geral da Segurança Geral do Líbano, revelou que se tratavam de 2.750 toneladas de nitrato de amónio, uma substância altamente explosiva, armazenadas no local onde ocorreram as explosões e que iriam ser exportadas para África nos próximos dias.

presidente libanês reagiu, citado pela Aljazeera, considerando ser “inaceitável” que aquela quantidade de explosivos estivesse guardada num armazém sem quaisquer medidas de segurança e garantiu que os responsáveis iriam enfrentar “consequências duras”.

Aquando das explosões eram visíveis nuvens de fumo laranja sobre a cidade. Nas imagens transmitidas pelos ‘media’ locais eram visíveis várias pessoas presas em escombros, algumas cobertas de sangue.

A potência das explosões terá sido tal que foram sentidas no Chipre, a mais de 240 quilómetros de distância, em Nicósia, conta uma jornalista da BBC News.

“Parece uma zona de guerra”

Um homem, que se encontrava dentro do carro estacionado num centro comercial a dois quilómetros do local onde a explosão ocorreu, relatou à Sky News, que “foi como uma bomba nuclear”. “Alguns edifícios a uma distância de dois quilómetros estão parcialmente destruídos, parece uma zona de guerra. Os danos são extremos. Não há uma janela de vidro intacta“, disse.

porto de Beirute foi isolado pelas forças de segurança, que só permitem na área elementos da Proteção Civil, ambulâncias e carros de bombeiros, que têm transportado os feridos para os hospitais mais próximos. O presidente libanês ordenou às Forças Armadas que patrulhem as zonas mais afetadas.

Vários capacetes azuis da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) ficaram feridos depois de as explosões terem danificado o navio em que se encontravam, atracado no porto da capital libanesa.

Vão “pagar pelo que fizeram” e a ajuda

primeiro-ministro do país já anunciou um dia de luto pelas vítimas da explosão a ser realizado amanhã, quarta-feira. Hassan Diab, garantiu depois que os responsáveis “irão pagar pelo que fizeram” e pediu ainda aos “países amigos” para ajudarem o país, depois das mortíferas explosões.

União Europeia já ofereceu auxílio ao Líbano. Através do Twitter o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, deu conta de que “a UE está pronta para prestar assistência e apoio. Mantenham-se fortes”.

Também os Estados Unidos já ofereceram a sua ajuda. “Os relatos indicam que a explosão ocorreu no porto de Beirute e arredores. Estendemos as nossas mais sentidas condolências aos afetados e estamos prontos a oferecer toda a assistência possível”, refere o Departamento de Estado norte-americano em comunicado. E Israel somou-se à lista de países que ofereceram ajuda humanitária ao Líbano, com quem não tem relações diplomáticas.

Foram ainda vários os países que enviaram mensagens de condolências, incluindo o Governo português que expressou “profunda solidariedade” para com o povo do Líbano.

Líbano atravessa a sua pior crise económica das últimas décadas, marcada por uma forte depreciação monetárias, hiperinflação, desemprego elevado e restrições bancárias, que têm alimentado tensões sociais.

Em Notícias ao Minuto

[Notícia atualizada às 00h35]

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