António Monteiro: “TACV continua a ser uma empresa sugadora do dinheiro do Estado”

29/07/2020 14:54 - Modificado em 29/07/2020 14:54

O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), António Monteiro, afirmou hoje que a TACV continua sendo uma “empresa sugadora do dinheiro do Estado”.

António Monteiro fez estas declarações na sequência da afirmação da deputada e líder parlamentar do MpD, Joana Rosa, que revelou hoje que os TACV foram vendidos por “mais de um milhão de contos” e que o Governo “lucrou três milhões de contos em imóveis” que pertenciam à companhia aérea nacional.

Nisto, o líder da UCID assegurou que foi assim no governo anterior do PAICV, tendo o MpD “criticado fortemente estas questões e prometido ajudar na solução”, mas que segundo o mesmo “infelizmente, o cofre do povo continua a dar avales para que a companhia possa trabalhar”.

António Monteiro desafiou assim o executivo de Ulisses Correia e Silva a revelar quais são os reais valores dos custos da TACV aos cofres dos cabo-verdianos.

“Queremos saber quanto se tem metido na Cabo Verde Airlines, que acaba por absorver grande parte dos recursos financeiros do Estado, que seriam importantíssimos para serem aplicados na saúde, segurança e educação”, concluiu António Monteiro.

Por sua vez, a deputada e presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, voltou a acusar o Governo de “falta de transparência” no processo da privatização da companhia aérea nacional, que, segundo ela, “não tem disponibilizado as informações necessárias”, citando o exemplo de um acionista da Cabo Verde Airlines [Gualberto do Rosário], antigo primeiro-ministro de um governo do MpD, que, também, se tem queixado a este respeito.

“O acordo parassocial assinado entre o Governo de Cabo Verde e a Icelandair, que está guardado a sete chaves, não foi distribuído”, acusou a líder do PAICV.

Em resposta às acusações da oposição, o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, chamou a atenção pelo facto de o debate sobre o artigo 2 do Orçamento Rectificativo estar a ser “transformado em debate sobre os transportes aéreos”, mas foi avisando que o executivo “não tem medo de discutir este assunto”.

“O que recebemos dos TACV, como legado, era uma empresa falida, cheia de dívidas e sem qualquer solução”, afirmou Olavo Correia, para quem o Governo tentou uma solução para a transportadora aérea nacional, mas o quadro, sublinhou, “complicou-se com a Covid-19”.

De acordo com o vice-primeiro-ministro, o Governo “está a negociar um acordo” com o parceiro estratégico para que a CV Airlines “possa continuar a voar, mas ajustado às circunstâncias do momento, tendo em conta que o modelo anterior, que havia sido estabelecido, não pode ser continuado”.

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