COVID-19: Companhias aéreas africanas podem perder dois mil milhões de dólares em 2020

29/07/2020 13:58 - Modificado em 29/07/2020 13:58

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estimou hoje que as companhias aéreas africanas podem perder dois mil milhões de dólares em 2020 devido à COVID-19, o que as colocaria à beira do colapso.

“Sem assistência financeira urgente, a indústria está em risco de colapso, colocando em jogo 3,3 milhões de empregos e 33 mil milhões de dólares do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse o organismo internacional através de uma declaração.

Vários governos africanos, incluindo os do Ruanda, Senegal, Costa do Marfim e Burkina Faso, prometeram um total de 311 milhões de dólares para apoiar o transporte aéreo.

“Foram anunciados mais cerca de 30 mil milhões de dólares em apoio financeiro para a aviação e turismo em África; parte desse dinheiro veio dos governos, mas muito pouco chegou até agora aos seus beneficiários”, disse o vice-presidente regional da IATA para África e Médio Oriente, Muhammad Albakri.

A IATA apela à remoção das barreiras ao dinheiro que chega às companhias aéreas porque “não vale a pena abrir as fronteiras e o espaço aéreo se não houver mais indústria”, disse.

A maioria dos países africanos, que fecharam preventivamente os seus aeroportos e proibiram o tráfego aéreo em março, estão a reabrir as suas fronteiras nas últimas semanas, com novas medidas de higiene e prevenção.

Estes países incluem o Quénia, Etiópia, Senegal, Ruanda, Benim e Tanzânia, que são responsáveis por 19% do tráfego aéreo do continente.

A IATA recomenda, “para promover a confiança do público e evitar a repetição de erros cometidos após o 11 de setembro de 2001 (ataques terroristas aos Estados Unidos a 11 de setembro de 2001)”, que sejam adotados protocolos comuns e normalizados.

O transporte aéreo e o turismo contribuem para a economia africana com 169 mil milhões de dólares, o que representa 7,1% do PIB do continente, e quase 25 milhões de empregos diretos e indiretos.

“Sem uma indústria de transportes aéreos, as populações africanas correm o risco de não poderem realizar os seus sonhos e aspirações”, concluiu o vice-presidente regional da IATA.

Lusa

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