SIACSA contesta despedimentos na Frescomar e funcionárias denunciam “ambiente tenso” no local de trabalho

17/07/2020 01:20 - Modificado em 17/07/2020 01:47

O Sindicato de Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura, Florestas, Serviços Marítimo e Portuário (SIACSA) mostra-se “dececionado” pela forma como a fábrica de conservas de peixe, Frescomar, em São Vicente, tem gerido a questão laboral neste contexto de pandemia no país, com despedimentos de várias funcionárias da empresa, entre as quais 15 associadas desse sindicato.

Para Jorge Duarte, coordenador do sindicato na ilha, a empresa deveria rever esta questão, que prejudica seriamente a vida de dezenas de trabalhadores e denuncia, conforme relatos das trabalhadoras, o clima de medo e tensão que reina na empresa.

Jorge Duarte apela à suspensão dos despedimentos, que veem acontecendo, desde de março passado a esta parte. “A empresa despediu cerca 15 associadas com contratos quase a terminar e outras com rescisão de contrato”, diz Duarte que não contesta alguns despedimentos mas critica os moldes em que estão a serem feitos, tendo em conta a atual situação do país, derivado da pandemia do Covid-19, que trouxe grandes consequências.

Muitas delas, senão a maior parte, são chefes de família, que vêm a sua vida afetada com esta decisão da empresa.

No entanto, não só contestam a forma como foram despedidas, mas também denunciam o “ambiente nada agradável”, bem como pelo desrespeito pelas funcionárias. “Tratam-nos pior que animais e no momento de despedimentos, não cumprem com o aviso prévio. No fim de um dia de trabalho simplesmente comunicam-nos que não vamos voltar, denuncia Otelina Santos que esteve mais de seis anos a laborar no local e era delegada sindical nos últimos dois anos.

Marlene Fonseca foi despedida em avançado estado de gravidez, sem justa causa, denuncia ainda a contagem do tempo de serviço alegado pela empresa, que contabiliza, segundo esta ex-funcionária, em 18 anos e pouco, menos dois anos. “São 21 anos de trabalho na empresa”, afirma.

Outras com tempo de serviço de entre onze a quinze anos, também foram despedidas.

  1. D. Rodrigues

    Com este período de incerteza no mundo, incluindo Cabo Verde, a flexibilidade e a tolerância são uma obrigação para que as pessoas se ajustem a uma nova maneira de fazer negócios, mantendo funcionários para manter as empresas em movimento. Todos sabemos que a recuperação dessa pandemia é um processo de recuperação de longo prazo. Jorge Duarte, eu entendo que você também está defendendo sua organização e suas receitas – se as pessoas não estão empregadas, você também perde. Você pode sobreviver sem assinantes? Em outras palavras, você está defendendo sua sobrevivência, como os empregadores e os funcionários que têm medo de serem demitidos devido à falta de receita e capacidade de cumprir suas folhas de pagamento. A dispensa existe por várias razões – eu recomendaria ler e entender todos os impactos e benefícios. Esta não é uma rua de mão única para os funcionários.

    Como empregador e empregado, eu recomendaria ao governo de Cabo Verde que investigasse o efeito do treinamento dos líderes sindicais em seus correspondentes assinantes. Este é um problema no país que está se arrastando por muito tempo…. para que seja resolvido. Jorge Duarte, em particular, é a pessoa-chave que causa distúrbios nos locais de trabalho em São Vicente e “ataca / assedia” os empregadores que, por todos os meios, fornecem e contribuem para a taxa de emprego nacional no país há anos. Este é um comportamento não profissional do escritório do sindicato. As vítimas nem sempre são os funcionários. Uma reestruturação da missão do sindicato deve ser avaliada juntamente com suas capacidades profissionais, limites de assédio às empresas locais.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2022: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.