Mindelenses pouco confiantes na fiabilidade dos testes rápidos

17/07/2020 00:26 - Modificado em 17/07/2020 00:26

Com a retoma na quarta-feira, 15 de julho, das ligações aéreas domésticas e as ligações marítimas de e para as ilhas de Santiago e Sal, os passageiros provenientes desses dois destinos são obrigados a apresentar uma declaração comprovativa da realização um teste rápido negativo feito, no máximo, 72 horas antes do início da viagem.

Porém, na sequência das declarações proferidas na quarta-feira pelo director Nacional de Saúde, Artur Correia, durante a conferência de imprensa de acompanhamento da evolução da pandemia de COVID-19 em Cabo Verde, no sentido de que “a capacidade dos testes rápidos de detectar os verdadeiros positivos e também a sua capacidade de detectar os verdadeiros negativos não é grande”, levantou grandes dúvidas e preocupações no seio dos sanvicentinos.

Correia, esclareceu que o Ministério da Saúde, utiliza os testes rápidos para estudos, como o que se está a fazer para ver a circulação eventual do vírus nas diferentes ilhas do país, reforçando que não são testes de diagnóstico, que neste caso são os de PCR.

Nisto, o Notícias do Norte abordou alguns mindelenses que se dizem preocupados, explicando que se não são fiáveis na detecção do vírus, as pessoas que viajarem destas duas ilhas deverão ser colocados obrigatoriamente em quarentena, para prevenir a propagação do vírus na ilha.

“Seria um erro tremendo dos nossos governantes. Se sabem que o teste rápido não detecta com exactidão a presença do vírus, então deveriam em vez de pedir que as pessoas assinem um formulário de responsabilidade, seria ideal serem colocados de quarentena obrigatória ou domiciliar. Não sou contra a abertura das viagens, porque não podemos ficar muito tempo fechados, mas seria um retrocesso nos ganhos que já foram conseguidos neste combate a covid-19” assegura Jorge Delgado.

Por sua vez, Suzana Pereira, afirma que esta situação poderá vir aumentar o número de casos de covid-19 no país, sobretudo nas ilhas que registam até este momento poucos casos como é o caso de São Vicente. Esta mindelense espelha-se no caso importado de Portugal, para salientar que se não forem realizados testes fiáveis ou as pessoas colocadas de quarentena a situação poderá piorar.

“Obviamente que não queremos estar na mesma situação que a ilha do Sal e de Santiago, mas também da ilha de São Nicolau que começa a ver o número de infectados aumentar. Estamos preocupados com tudo isso e somente as autoridades poderão tomar pulso da situação, visto que muitas pessoas certamente não vão cumprir a quarentena quando regressarem destas ilhas” situa.

Outro savicentino que se mostra preocupado é Antão Fortes, este pede que as autoridades sanitárias reavaliem a situação e tomem medidas mais adequadas. “Se os testes rápidos não são 100% fiáveis, acho que as pessoas devem ser acompanhadas de perto pelas autoridades e não ficarem em casa, porque sabemos que o nosso povo não cumpre com as orientações. Não queremos dar um tiro no próprio pé” vaticinou.  

De realçar que conforme a diretiva do Governo, os passageiros deverão apresentar no check-in, e não na compra de passagem ou na Delegacia de Saúde, teste de despiste da covid-19, com resultado negativo, efectuado nas 72 horas que antecedem a viagem.

  1. M. Odette Pinheiro

    Há muito que tenho vindo a alertar para esta questão dos testes rápidos serem de tão pouca confiança para o diagnóstico. É bom que finalmente um alto responsável da Saúde em Cabo Verde o tenha dito sem rodeios, para a população poder saber com que contar. Assim, se ou quando a doença alastrar, todos saberão que é por não termos meios de fazer testes adequados em quantidade suficiente, o que é a nossa realidade, com os nossos parcos recursos, em vez de se continuar a dar a impressão de que tudo está sob controle. Cabo Verde precisa saber reconhecer as suas limitações e viver dentro das suas possibilidades, em vez de pensar em “CAPITAL digna”, etc., etc. – valores supérfluos e superficiais que não põem a panela ao lume nem salvam vidas em caso de epidemias. Precisaríamos ter meios para fazer o PCR em muitíssimo maior escala e isso, sim, seria uma prioridade. Mas sabemos que os recursos não são elásticos. Por isso, estes têm de ser geridos com muita sabedoria e justiça para todos. Que Deus guarde Cabo Verde nesta hora de abertura dos voos.

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