Mais de 500 jogos depois Ricardo ‘Xerife’ Silva despede-se dos relvados

9/07/2020 17:30 - Modificado em 9/07/2020 17:31
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Odefesa cabo-verdiano Ricardo Silva, de 39 anos, anunciou hoje a sua retirada dos relvados, admitindo que a suspensão da II Liga foi “determinante” nessa decisão e destacando as subidas à I Liga e o terceiro lugar nesse campeonato como melhores momentos da carreira.

Com cerca de 500 jogos realizados em 21 épocas de futebol sénior, ‘Xerife’, como é conhecido nesse meio, colocou, aos 39 anos, um ponto final na carreira enquanto futebolista, recheada de presenças na I Liga portuguesa e apenas com uma experiência no estrangeiro, ao serviço dos chineses do Shandong Luneng.

“É um misto de tristeza pelo que fica para trás e de alegria pelo que consegui construir. Acima de tudo, o maior sentimento é de alegria por aquilo que consegui construir juntamente com os meus colegas, por tudo o que fiz e porque acredito que sempre tive uma postura digna que pode ter marcado as pessoas”, afirmou durante a conferência de imprensa de despedida, nos escritórios da empresa que o representa, em Aveiro.

Sobre a última temporada, ao serviço do Feirense na II Liga, o defesa demonstrou “tristeza” não pelo campeonato que não foi retomado – numa altura em que o clube estava no terceiro lugar –, mas sim pela discriminação aos jogadores e clubes da II Liga.

“Houve um tratamento diferente aos jogadores e clubes da II Liga. Entristeceu-me que fosse desta forma. A pandemia foi determinante na minha tomada de decisão em terminar a carreira e foi uma grande tristeza sentir que as coisas tinham de ser desta forma”, lamentou o jogador.

A nível desportivo, destacou as duas subidas da II para a I Liga, ao serviço do Beira-Mar (2005/2006) e, mais recentemente, pelo Famalicão (2018/2019), assim como o terceiro lugar conquistado pelo Paços de Ferreira (2012/2013), embora tenha realçado que o melhor “momento da carreira” foi o dia em que pôde treinar com o filho, em Famalicão.

Num passeio pelo passado, acompanhou com “tristeza” a “decadência do Beira-Mar”, clube que representou quatro anos, salientando que vê com esperança que as pessoas se estejam “a mobilizar para devolver à cidade de Aveiro a grandeza do clube” e destacou também as 18 internacionalizações por Cabo Verde.

“Apesar de não ser nascido lá, foi um sonho porque tive oportunidade de conhecer um contexto que não conhecia e foi um privilégio enorme representar a seleção. Creio que ajudei a construir uma identidade na seleção. Na altura, estava em reconstrução, entrei no contexto de dar um ar novo e penso que contribui um pouco para que as coisas começassem a crescer”, declarou.

Depois de passagens pelo Freamunde, Beira-Mar, Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães e Feirense, o futuro de Ricardo ‘Xerife’ vai passar provavelmente pela área técnica do futebol, já que possui o diploma nível três de treinador. Com a camisola da nossa seleção fez 18 jogos, marcando um golo contra os Camarões, no Estádio da Várzea, em 2012, na nossa vitória de 2-0 que colocou Cabo Verde com um pé no CAN 2013.

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