Carta ao MNE: Venezuela reafirma que Alex Saab é agente diplomático e pede que seja tratado com justiça e humanidade

7/07/2020 23:47 - Modificado em 7/07/2020 23:47
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Foto: Global News

O NN teve acesso a uma carta que o ministro do Poder Popular para os Negócios Estrangeiros da República Bolivariana da Venezuela enviou, no dia 4 de julho, ao seu homólogo cabo-verdiano, Luís Felipe Tavares.

Na missiva, o MNE da Venezuela reafirma que Alex Nain SAAB MORÁN, nascido em 21 de Dezembro de 1971 e portador do passaporte da República Bolivariana da Venezuela é Enviado Especial do Governo da República Bolivariana da Venezuela e pede que ele seja tratado de acordo com essa condição que lhe garante as imunidades e privilégios previstos.

Refere que “a nossa única pretensão é que o apelo do Excelentíssimo Senhor Presidente Jorge Carlos Fonseca seja cumprido. O que implica que o nosso compatriota seja tratado “com justiça e humanidade”, como nos garantiu na sua carta de 15 de junho, e de acordo com as imunidades e privilégios que o credenciam como Enviado Especial do Governo da República Bolivariana da Venezuela”.

Na carta enviada ao MNE de Cabo Verde, o governo da Venezuela mostra a sua preocupação com a forma como o seu enviado diplomático está a ser tratado, nomeadamente em relação à transferência que foi efetuada da Cadeia da Ribeirinha, em São Vicente, para a Cadeia na ilha do Sal.

“Excelentíssimo Senhor, devo acrescentar ao exposto que ontem, para nossa surpresa, fomos informados de que o Sr. Saab foi transferido do centro de detenção na ilha de São Vicente para a ilha do Sal, sem que o embaixador ou seus advogados locais fossem informados desse fato e das razões para tal. Esta transferência chama bastante a nossa atenção, já que foi precisamente na ilha de Sal onde o Sr. Saab denunciou (conforme registado no processo perante a Justiça de Cabo Verde) que foi alvo de agressão física e roubo por alguns agentes da polícia, após a sua detenção em 22 de Junho. Sobre este último ponto, peço que seja autorizada a deslocação do Senhor Embaixador Alejandro Correa, da Praia para a ilha do Sal, para que possa verificar diretamente, junto ao Sr. Saab, a sua condição atual e o motivo da sua transferência.”  

O MNE da Venezuela apela ao MNE de Cabo Verde para que sejam asseguradas as condições para uma melhor defesa possível de Saab. O mesmo avança “Para esse efeito, em primeiro lugar, o Sr. Saab Morán deve ter o direito à melhor defesa possível. No entanto, a sua equipa jurídica internacional, liderada pelo Dr. Rutsel Silvestre J Martha, ex-Procurador Geral da INTERPOL e ex-Ministro da Justiça das Antilhas Holandesas, só foi autorizado a entrar em Cabo Verde numa ocasião, em 19 Junho de 2020 (já solicitado desde 13 de Junho), por um período de apenas cinco dias, após cumprir todos os requisitos sanitários e de visto impostos pelo seu governo. Posteriormente, apesar dos reiterados pedidos, a sua entrada não voltou a ser autorizada.” – escreve Jorge Arreaza que termina a missiva pedindo uma melhor comunicação como o seu colega Luís Felipe Tavares. “Caro colega, acredito que os elementos apontados na presente carta indicam claramente que seria altamente desejável se pudéssemos estabelecer uma relação mais direta, a fim de facilitar os processos diplomáticos e reduzir os inevitáveis equívocos, à falta de uma comunicação fluída. Reitero a nossa inteira disponibilidade nesse sentido. Queira o Excelentíssimo Senhor, acreditar que preferiria escrever-lhe por razões mais transcendentes para os nossos povos, como o aumento das relações bilaterais e a construção de uma agenda de cooperação e complementaridade, em benefício de ambas as nações. Desejamos que isso se concretize o mais rápido possível, conforme apropriado entre nações irmãs, com laços históricos indissolúveis”.

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